Brasil/Eleições: Modelos de IA preveem vitória de Bolsonaro, mas recomendam voto em Lula

Analisadas as respostas de 11 assistentes de Inteligência Artificial a 15 perguntas, incluindo previsões sobre o vencedor, avaliações sobre quem seria o melhor presidente e recomendações de voto.

Um estudo da organização Destaque.AI concluiu que a maioria dos modelos de Inteligência Artificial (IA) prevê a vitória de Flávio Bolsonaro este domingo, mas aconselha mais vezes o voto no atual Presidente, disse à Lusa Eduardo Mendonça.

A Destaque.AI tem uma ferramenta interna chamada periscopy que capta 'prompts' (instruções em sistemas) de diversos motores de sistemas de Inteligência Artificial Generativa, conhecidos por LLM (Large Language Model, ou Grande Modelo de Linguagem), como o ChatGPT, explicou à Lusa o seu fundador, Eduardo Mendonça.

Neste caso específico, a organização quis entender, quando se pergunta a um LLM sobre em quem votar, como é que o modelo se comporta, declarou.

Para tal, foram criadas 'personas', ou seja, perfis de eleitores - neste caso oito - que se comportam de forma diferente nos modelos de LLM, para se perceber quais as respostas dadas.

Foram analisadas as respostas de 11 assistentes de Inteligência Artificial a 15 perguntas relacionadas com as eleições brasileiras, incluindo previsões sobre o vencedor, avaliações sobre quem seria o melhor presidente e recomendações de voto.

No estudo, segundo Mendonça, nas perguntas mais abertas, os modelos evitavam dar respostas e diziam que precisavam de mais informações relativas ao perfil da pessoa.

De forma geral, com base nas investigações usadas para dar as respostas às perguntas feitas, os modelos de LLM preveram uma vitória de Flávio Bolsonaro, mas, quando respondiam à questão sobre em quem se deve votar, aconselharam mais vezes (13 em 17) que se votasse no atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva.

Outro fenómeno referido por Mendonça é que, à mesma 'persona', foi aconselhado votar em diferentes candidatos, consoante o modelo LLM utilizado.

Sobre como foram criados os perfis, o fundador da organização explicou que, internamente, tentaram não enviesar as respostas, ou seja, "não se assumir que uma professora vota em Lula da Silva só porque é funcionária pública", por exemplo.

Questionado sobre se, com o aumento do uso destas plataformas no quotidiano, estas podem vir a influenciar o sentido de voto, respondeu que: "Quanto mais existir a utilização e uma dependência desses modelos, no futuro, talvez sim, [as] nossas respostas ou julgamentos possam vir a ser condicionados por eles, nem que seja de uma maneira indireta". 

Flávio Bolsonaro, apoiado pelo Partido Liberal (PL), enfrenta Lula da Silva, candidato do Partido Trabalhista (PT) na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras deste domingo.

Na primeira volta, realizada em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.