Bruce Springsteen e Paul McCartney, Fab 2 em Liverpool
Boss e o Beatle cantaram Can't Buy Me Love na terra natal da mais histórica banda do planeta.
Não há quatro sem cinco, Bruce Springsteen e Paul McCartney juntaram-se pela quinta vez em palco, no concerto do Boss com a sua E Street Band em Liverpool neste fim-de-semana, para interpretarem um dos grandes êxitos dos Beatles, ‘Can’t Buy Me Love’ (um dos muitos nº1 dos tops à volta do mundo dos Fab Four) e ainda a versão de ‘Kansas City’ da lenda do boogie-woogie Little Willie Littlefield.
No Anfield Road (o estádio do Liverpool FC), Bruce Springsteen tocou ainda clássicos como 'Born in the U.S.A.', 'Dancing in the Dark', 'Glory Days', 'Born to Run', 'The River' ou 'Because the Night' (composição que Bruce Springsteen entregara à voz de Patti Smith).
O rocker norte-americano Bruce Springsteen havia iniciado a sua digressão europeia em Manchester com dois discursos arrasadores para com o atual Governo dos Estados Unidos, liderados por Donald Trump. “Na minha terra, a América que eu amo e sobre a qual tenho escrito, que tem sido um farol de esperança e liberdade durante 250 anos, está atualmente nas mãos de uma administração corrupta, incompetente e traiçoeira. Esta noite, pedimos a todos os que acreditam na democracia e no melhor da nossa experiência americana que se levantem connosco, levantem a voz contra o autoritarismo e deixem a liberdade ressoar!”, foi este o mote inicial de Bruce Springsteen para o concerto em Manchester com a sua E Street Band, antes de tocar ‘Land of Hope and Dreams’.
Num discurso mais longo em fase mais avançada do espetáculo, Springsteen alertaouque “há coisas muito estranhas, estranhas e perigosas a acontecer por aí agora. Nos Estados Unidos, as pessoas estão a ser perseguidas por utilizarem o seu direito à liberdade de expressão e manifestarem a sua discordância. Isso está a acontecer agora. Na América, os homens mais ricos estão a satisfazer-se em abandonar as crianças mais pobres do mundo à doença e à morte. Isso está a acontecer agora. No meu país, sentem um prazer sádico na dor que infligem aos leais trabalhadores americanos. Estão a revogar a legislação histórica dos direitos civis que levou a uma sociedade mais justa e plural. Estão a abandonar os nossos grandes aliados e a aliar-se a ditadores contra aqueles que lutam pela sua liberdade. Estão a retirar verbas às universidades americanas que não se vergam às suas exigências ideológicas. Estão a tirar os residentes das ruas americanas e, sem o devido processo legal, a deportá-los para centros de detenção e prisões estrangeiras. Isto tudo está a acontecer agora”. E prossegue, afirmando quase do mesmo fôlego que “a maioria dos nossos representantes eleitos não conseguiu proteger o povo americano dos abusos de um presidente incompetente e de um governo desonesto. Não têm a mínima preocupação ou noção do que significa ser profundamente americano. A América sobre a qual vos cantei durante 50 anos é real e, independentemente dos seus defeitos, é um grande país com um grande povo. Portanto, sobreviveremos a este momento. Agora, tenho esperança, porque acredito na verdade do que disse o grande escritor norte-americano James Baldwin: ‘Neste mundo não há tanta humanidade como gostaríamos, mas há a suficiente’. Rezemos”.
Bruce Springsteen tem mantido este discurso crítico para com Trump ao longo da digressão europeia e mereceu a solidariedade de nomes como Eddie Vedder (dos Pearl Jam), Neil Young ou Bono, o vocalista dos U2.
