Clube Atlético e Cultural, onde treina a equipa de Futebol para Cegos, não tem casa para a próxima época

O CAC acusa a Câmara Municipal de Lisboa de não ter arranjado uma solução a tempo.

O Clube Atlético e Cultural (CAC) deixa de poder usar o Complexo Desportivo Porto Pinheiro esta sexta-feira. Acusa a Câmara Municipal de Lisboa de não ter arranjado uma solução a tempo.

O CAC foi retirado do Bairro Padre Cruz na Pontinha pela Câmara para realocar a nova Feira Popular. Foi feita a promessa de um novo espaço desportivo que nunca chegou. Nos últimos anos, as equipas que integram o desportivo têm visto a sua morada alterada constantemente e equipas espalhadas por várias localizações. Há quatro anos que ocupam um campo em Odivelas arrendado pelo Sindicato dos Jogadores à Câmara de Lisboa, mas o contrato chega agora ao fim, sem abertura para que seja renovado.

António Roque, Presidente do CAC, explica que enquanto os outros clubes preparam a próxima época, o CAC não sabe se “participa, assiste ou se tem sequer portas abertas”. No final do último ano desportivo, tinham mais de 400 atletas e dezasseis equipas, de várias modalidades nas quais destaca duas exclusivas para pessoas com deficiência visual: GoalBall (que foi campeã nacional há um ano) e Futebol para Cegos. Além disso, também os treinadores e funcionários – um deles um guarda que reside nas instalações – estão em risco. O Presidente confessa que por esta altura “tem havido alguma debandada de jogadores e treinadores” face à incerteza da próxima época, além de não terem conseguido assinar contrato com fisioterapeutas.

Entre as equipas que treinam no CAC, a de Futebol para Cegos é a única da modalidade no país. Segundo Luís Gestas, o presidente da Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais (ANDDVIS), há várias preocupações com o desalojamento do CAC que é “o maior formador da seleção nacional”. A não realocação põe não só em risco a modalidade, como também o torneio internacional que estava a ser preparado no país e contava com o apoio da associação.

Joaquim Evangelista, o Presidente do Sindicato dos Jogadores, esclarece que não há possiblidade de renovar o arrendamento de espaço. Em causa está o projeto para o qual foi construído: uma escola e academia para ex-jogadores desempregados, que está a ser adiado desde que cederam o espaço. O presidente garante no entanto que, apesar de não renovar a estadia, está disponível para dar apoio aos atletas que queiram continuar a treinar lá e deixar que o material do CAC fique durante o tempo que for preciso nas instalações.

O contrato com o Sindicato dos Jogadores termina hoje, a Câmara Municipal de Lisboa continua sem dar respostas ao Clube Atlético e Cultural.

Tentamos entrar em contacto com a Câmara Municipal de Lisboa, mas até ao momento não obtivemos respostas.