Câmara de Alenquer avança com medidas para atenuar impacto de camiões na Passinha

Entre as medidas está a instalação de semáforos para implementar circulação alternada.

A Câmara de Alenquer vai avançar com medidas minimizadoras do impacto da passagem de camiões na localidade da Passinha, depois da proibição, por decisão judicial, da circulação de pesados nos Casais Novos, informou hoje o presidente da autarquia.

João Nicolau disse à agência Lusa que o município vai instalar semáforos para implementar circulação alternada na localidade da Passinha, onde os moradores se queixam de ruído e velocidade excessiva devido à circulação de veículos pesados da empresa de logística Santos e Vale, sediada nas proximidades.

“Apercebemo-nos que há um cruzamento de camiões e necessidade de manobras dentro da localidade que contribuem para um aumento do impacto dos camiões”, justificou.

Outras medidas passam pelo reforço da sinalização vertical sobre os limites de velocidade e por pedir à GNR que intensifique a fiscalização do controlo de velocidade dos camiões na localidade.

A autarquia vai também exigir à empresa um acordo para “regularizar a situação” relativa ao número de camiões a circular de dia e à noite.

Na última reunião de câmara, o executivo municipal aprovou por unanimidade avançar com uma auditoria externa, para a qual vai lançar concurso público, ao processo de licenciamento das instalações da empresa, para perceber “se todos os procedimentos foram cumpridos”.

O número de camiões previsto no estudo de tráfego apresentado aquando do licenciamento confrontado com a realidade tem gerado controvérsia.

Desde que a empresa de logística Santos e Vale se mudou em 2021 para as atuais instalações, começaram a surgir queixas dos moradores da Passinha, Casal Machado e Casais Novos, descontentes com os incómodos provocados pelo ruído dos camiões e pela alegada falta de segurança nas ruas.

Os residentes terão chegado a contabilizar duas centenas de camiões por dia e meia centena à noite, motivo pelo qual pediram soluções para o problema à câmara municipal.

Sem reclamar a deslocalização da empresa, os moradores chegaram a solicitar que os impactos com a passagem dos veículos pesados fossem minimizados.

O descontentamento popular começou primeiro com os residentes da Rua dos Bons Amigos, na Passinha, e estendeu-se aos da Rua do Batalheiro, em Casal Machado, e da Avenida da Juventude, que atravessa os Casais Novos e a Passinha, todas elas ruas estreitas.

Os moradores da Rua dos Bons Amigos, na Passinha, levaram em 2022 o caso a tribunal, cuja sentença de 2023 condenou o município a regular e fiscalizar aí o trânsito, proibindo a circulação noturna de pesados e restringindo a 20 o número de camiões a passar durante o dia.

A empresa recorreu, alegando que o estudo de tráfego apresentado na fase de licenciamento apontava para a circulação de 30 camiões por hora.

A decisão transitou em julgado em junho de 2024, sem dar razão aos residentes.

Os camiões passaram a circular pela Rua do Batalheiro, em Casal Machado, e pela Avenida da Juventude, para desagrado dos respetivos residentes, que em 2023 avançaram também para tribunal.

A empresa também recorreu, apontando desta vez prejuízos económicos para a sua atividade e despedimento de trabalhadores face à dificuldade de operar, o que não foi aceite pelo tribunal, que veio dar razão aos moradores numa decisão já transitada em julgado.

Em maio de 2025, o município veio a proibir a circulação de camiões entre as 20h00 e as 07h00 com a colocação de sinalética na Rua do Batalheiro, em Casal Machado, e na Avenida da Juventude.

Com a alteração, os camiões voltaram a passar na Rua dos Bons Amigos, na Passinha.

Para resolver em definitivo o problema, a autarquia planeia vir a construir uma variante para desviar os veículos pesados do centro das três localidades, um investimento estimado em 2,2 milhões de euros.

Para tal, adquiriu um terreno por 290 mil euros e está a elaborar o projeto.