Câmara de Lisboa e Carris garantem ter feito "tudo, tudo, tudo" no apoio às vítimas do elevador da Glória
O descarrilamento do elevador da Glória ocorreu a 3 setembro de 2025, causando 16 vítimas mortais e 24 feridos.
O vice-presidente da Câmara de Lisboa afirmou hoje que a autarquia e a empresa municipal Carris “têm feito tudo, tudo, tudo” no apoio às vítimas e seus familiares na sequência do acidente com o elevador da Glória.
“O tema do drama das vítimas e das famílias é um tema fortíssimo e é um tema que nós temos que o viver, que o respeitar e que o honrar. Portanto, a Carris e a Câmara Municipal de Lisboa têm feito tudo, tudo, tudo para ir ao encontro das vítimas, aos familiares das vítimas, disponibilizando apoio médico, apoio psicológico, apoio social”, disse Gonçalo Reis aos jornalistas após a apresentação da solução para o futuro ascensor da Glória.
O descarrilamento do elevador da Glória ocorreu em 03 setembro de 2025, causando 16 vítimas mortais e 24 feridos de 15 nacionalidades diferentes.
Questionado sobre a concretização de um memorial na Calçada da Glória em honra às vítimas do descarrilamento do ascensor, considerando que esta quinta-feira se cumpre um ano desde a tragédia, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) respondeu: “O memorial será tratado na devida altura, portanto, quando ocorrer, digamos, um ano do acidente.”
Sobre a demora no apuramento das causas do acidente, Gonçalo Reis alegou que as auditorias internas e externas da Carris e os trabalhos da Comissão Técnica Independente “dependem também da disposição dos elementos técnicos” por parte do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).
Há cerca de duas semanas, o GPIAAF informou que o relatório final sobre o acidente não ficará concluído em setembro, como previsto, devido à complexidade das peritagens técnicas, prevendo-se agora a publicação até “final do primeiro trimestre de 2027”.
Interpelado sobre se a CML, enquanto acionista única da Carris, não se sente envergonhada por ainda não se saber exatamente o que aconteceu, o autarca disse: “O drama que aconteceu, nós temos que o honrar, temos que o tratar, temos que cuidar e temos que reparar. O GPIAAF já disse que não consegue fazer o trabalho técnico em 12 meses e já apontou um prazo de 18 meses.”
“Estamos a fazer o máximo possível. As equipas técnicas no terreno, as equipas médicas, as equipas de apoio psicológico, as equipas de apoio social. Portanto, estamos a fazer todos os possíveis com o maior empenho”, reforçou o vice-presidente da CML.
Quanto às indemnizações às vítimas, Gonçalo Reis indicou que a seguradora da Carris, a Fidelidade, “já apresentou propostas a todos, já houve quatro que aceitaram e espero que sejam resolvidas o mais rapidamente possível, sem qualquer restrição financeira”.
Já presidente da Carris, Rui Lopo, no cargo desde janeiro – após a demissão do anterior gestor Pedro de Brito Bogas na sequência do descarrilamento –, expressou “total solidariedade” da empresa para com as vítimas do acidente e seus familiares.
Em relação à investigação, Rui Lopo considerou que “não há uma falta de resposta, há uma falta de conclusões”, lembrando que, “felizmente”, já são conhecidos vários relatórios que foram feitos por uma entidade independente, referindo-se ao GPIAAF.
“Temos que ter todos nós enormíssima confiança naquela independência e naquela capacidade técnica e, portanto, já são conhecidos um conjunto de aspetos sobre os quais nós já trabalhámos e continuamos a trabalhar na Carris para melhorar”, declarou o presidente da empresa municipal de transporte público, defendendo que, mais do que a demora na investigação, o importante é que, “quando se conclua, se saiba exatamente o que aconteceu”.
Na semana passada, a Fidelidade revelou que assumiu até ao momento custos no total de 2,3 milhões de euros, incluindo despesas relacionadas com o acidente, quatro acordos de indemnização a famílias de vítimas mortais, serviços funerários, repatriamentos, consultas, tratamentos, internamentos, intervenções cirúrgicas, reabilitação, transportes, salários perdidos, entre outros.
Salientando a “especial complexidade” que revestiu algumas das situações, a Fidelidade afirmou que a conclusão dos processos “depende, essencialmente, da estabilização clínica das vítimas, da obtenção dos elementos necessários à avaliação dos danos e, nos processos indemnizatórios, do acordo entre as partes”.
