Câmaras de Almeida, Pinhel e Guarda iniciam levantamento de prejuízos

O fogo, que deflagrou em Rochoso, destruiu 5.000 hectares.

As Câmaras de Almeida, Guarda e Pinhel já estão a proceder ao levantamento dos prejuízos causados pelo incêndio que começou na segunda-feira, no Rochoso (Guarda), e que foi hoje dominado depois de alastrar aos municípios vizinhos e destruir 5.000 hectares.

“Arderam pastagens de animais, terrenos florestais, de azinheiras, castanheiros e carvalhos, alguns terrenos agrícolas e pequenas palheiras. Sem dúvida alguma que chegaremos rapidamente a algumas centenas de milhares de euros de prejuízos”, disse o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, à agência Lusa.

Para o autarca da coligação Pela Guarda/Nós Cidadãos, “a boa notícia é que não há dano humano, a não ser um ou outro ferido, muito ligeiro, nem arderam propriedades ou habitações”.

O município vai iniciar o levantamento dos prejuízos, com o apoio das Juntas de Freguesia afetadas.

Na hora do rescaldo, Sérgio Costa voltou a criticar a forma como decorreu o combate ao fogo, que começou na localidade do Rochoso, no concelho da Guarda, pelas 13:39 de segunda-feira.

“O sistema de coordenação do combate aos fogos florestais faliu. Aconteceu o que aconteceu no ano passado, em 2022 e continua a acontecer tudo exatamente da mesma forma e ninguém faz nada para melhorar o ‘estado da arte’ e isso não pode acontecer”, apontou.

O presidente da Câmara da Guarda admitiu mesmo que “haverá gente a mais a fazer menos” e disso deu conta à tutela governamental, para “perceberem aquilo que está a acontecer, porque não pode continuar”.

“Não percebo porque é que a UEPS da GNR foi apenas chamada ontem [terça-feira], à hora de almoço, e não na noite anterior. E também não percebo como é que o ICNF não estava no fogo quando sabemos que havia máquinas e funcionários parados na Guarda”.

Em Almeida, António José Machado, autarca local, realçou que o concelho tem “a maior percentagem de área ardida” desta ocorrência e viveu um dia de terça-feira “muito complicado”, com as chamas a ameaçarem três povoações [Cabreira, Porto Mourisco e Leomil].

“O núcleo da aldeia de Freixo, que fica na Estrada Nacional 16, esteve em risco”, admitiu.

Quanto a prejuízos, referiu que o levantamento vai ser iniciado, mas adiantou que arderam “pastos, terrenos agrícolas, áreas florestais e houve casos pontuais de perda de animais e barracões”.

“Felizmente não há muitos danos pessoais e materiais para registar, mas há situações em que teremos de ajudar na alimentação dos animais. Já estamos a fazer esse levantamento com as Juntas de Freguesia e o Gabinete do Agricultor da Câmara”, disse.

Já sobre o combate ao fogo, António José Machado considerou que “se houvesse mais meios mais cedo, talvez se tivesse conseguido diminuir o avanço das chamas”.

“Este incêndio tem 40 quilómetros de perímetro, não é fácil colocar meios em todos os locais. Houve momentos de grande aflição, em que não havia meios suficientes, depois chegaram em força, já na parte final, foi quando também se conseguiu debelar o fogo”.

Para o autarca social-democrata, os populares voltaram a ser importantes para travar as chamas.

“As pessoas juntaram-se e vieram para as zonas de caminhos e de estradas e, todos juntos, conseguiram fazer um trabalho fantástico e parar o fogo na EN324. Caso contrário, seguia para em direção ao Vale do Côa e ficaria tudo ainda mais complicado”, adiantou António José Machado.

Em Pinhel, o levantamento dos prejuízos já está a ser feito.

“Sabemos que não há habitações que tenham ardido e ainda não temos conhecimento de instalações de apoio à agricultura, armazéns ou alfaias que tenham sido perdidas, nem tão pouco de animais. Os prejuízos são essencialmente ao nível das pastagens e de campos agrícolas”, indicou a presidente da Câmara, Daniela Capelo, à agência Lusa.

A autarca social-democrata acrescentou que o trabalho de verificação de eventuais prejuízos vai começar para se perceber como a Câmara poderá ajudar os lesados.

Daniela Capelo não se quis pronunciar sobre os “aspetos operacionais” do incêndio, constatando apenas que foi “uma operação muito complexa, de coordenação de muitos meios”.

“Tivemos cerca de 700 operacionais no teatro de operações e admito que haja necessidade de afinar algumas situações de coordenação”.