Campanhã é o mais importante mas o pior interface de transportes no Porto
Campanhã foi influenciada por diversos fatores, incluindo "a sua localização na macroestrutura urbana da cidade", estando "relativamente distante a funções urbanas relevantes", refere o PMUS.
O interface de transportes de Campanhã é identificado como o mais importante, mas o pior no Porto, de acordo com uma avaliação feita no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do município, consultado hoje pela Lusa.
"A maior classificação obtida é de 2,8, nos interfaces da Trindade e de São Bento, e a menor é de 2,2 na interface de Campanhã, surpreendentemente o interface com o nível hierárquico mais elevado", segundo o documento a que a Lusa teve acesso, e cuja submissão a consulta pública irá a votação na reunião da Câmara do Porto na terça-feira.
O diagnóstico separa os interfaces em quatro níveis hierárquicos, sendo o de Campanhã o único da chamada 1.ª ordem: "comporta fluxos elevados e assegura conexões entre diferentes modos de transporte, desempenhando uma função primordial às escalas da cidade, da área metropolitana, regional, nacional e até internacional".
No PMUS, são identificados 10 interfaces, sendo os de 2.ª ordem Casa da Música, Hospital São João, Polo Universitário e São Bento, e de 3.ª ordem Bom Sucesso, Camélias, Estádio do Dragão, Marquês e Trindade.
Segundo uma "matriz de avaliação multicritério" feita no âmbito da elaboração do PMUS, em que foram consideradas quatro categorias principais (desenho e acessibilidade, conforto, segurança e serviço de transporte público), de 0 a 4 os terminais do Porto ficaram com classificações entre 2,2 (Campanhã) e 2,8 (São Bento e Trindade).
A classificação de 2,3 foi dada aos interfaces da Casa da Música, Marquês e Polo Universitário, a de 2,4 ao do Bom Sucesso, Camélias e Hospital São João, e de 2,5 ao Estádio do Dragão.
Quanto a Campanhã, a sua classificação foi negativamente influenciada por diversos fatores, incluindo "a sua localização na macroestrutura urbana da cidade", estando "relativamente distante a funções urbanas relevantes".
"Em segundo, como resultado do processo de evolução desta infraestrutura em diferentes fases e por diferentes entidades a legibilidade da interface e a experiência dos utilizadores são negativamente impactados", mantendo-se "problemática" a "integração dos diferentes modos de transporte".
O PMUS aponta, por exemplo, à sinalética "por vezes confusa e de difícil leitura, que não se encontra padronizada" e menciona que "as distâncias entre os modos de transporte são consideráveis, em especial na ligação entre a ferrovia e o TIC, podendo ultrapassar os 600 metros, muito por culpa do diferendo entre as diferentes entidades gestoras desta interface (Infraestruturas de Portugal, Metro do Porto e STCP Serviços) e que teve como consequência a não execução das ligações entre os cais 1 a 9 e o túnel de acesso ao Terminal Intermodal de Campanhã (TIC)", que serão executadas no âmbito do projeto da linha de alta velocidade.
Quanto ao conforto, no TIC "observam-se elevados níveis de sobreocupação, durante grande parte do dia, resultado do dimensionamento inadequado dos espaços ao fluxo esperado de utilizadores", mas "o principal problema registado no TIC diz respeito aos frequentes congestionamentos de trânsito frequentes no acesso a esta infraestrutura, resultado de um subdimensionado crónico da infraestrutura rodoviária de acesso".
"De realçar também o facto de a ligação pedonal entre os cais de embarque e o túnel de ligação à estação ferroviária e de metro ser feita através de uma passagem de peões que cruza o fluxo de entrada dos autocarros, colocando pressão adicional sob o normal funcionamento deste terminal", aponta.
O PMUS refere ainda a "largura insuficiente" dos cais de embarque e considera que "o número de lugares sentados é também claramente insuficiente, pelo que é comum encontrar passageiros sentados no chão".
"Em conjunto, todas estas deficiências são extremamente preocupantes por se tratar de um investimento recente e superior a 12 milhões de euros naquele que é a principal interface intermodal da cidade do Porto", pelo que "foi recentemente adjudicada uma revisão do projeto com vista a promover alterações na infraestrutura".
