Canábis medicinal vendida há 3 meses mas pouco usada
A prescrição será reduzida porque os profissionais de saúde não estão ainda familiarizados com esta opção terapêutica, entende o bastonário da Ordem dos Médicos.
Três meses depois de a canábis medicinal ter começado a ser comercializada em Portugal, a Ordem dos Médicos considera que ainda não está suficientemente divulgada para ser prescrita com frequência.
Questionámos o INFARMED sobre dados de prescrição mas a autoridade do medicamento não disponibilizou essa informação até ao momento. No entanto, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, sublinha que o medicamento ainda é pouco conhecido entre os profissionais de saúde por estar disponível no mercado há pouco tempo.
O Bastonário da Ordem dos Médicos lembra que a prescrição depende dos médicos estarem familiarizados com esta opção terapêutica e é fundamental haver informação sobre o medicamento.
Miguel Guimarães considera que a divulgação da canábis medicinal no seio da comunidade médica fica prejudicada pela pandemia que não permite que se realizem encontros e reuniões que servem para divulgar informação aos profissionais de saúde.
O uso de cannabis para uso medicinal em Portugal foi legalizado em 2018, mas só desde abril deste ano é possível adquirir as substâncias nas farmácias, apenas com receita médica.
O medicamento foi aprovado pelo Infarmed para ser utilizado em casos de espasticidade associada à esclerose múltipla, náuseas e vómitos que podem resultar, por exemplo, de tratamentos de quimioterapia, estimulação do apetite em doentes oncológicos ou com sida, dor crónica associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso, Síndrome de Gilles de la Tourette e glaucoma.
