Capicua lembra que "Porto sempre se bateu pela liberdade" e repudia violência da PSP

A rapper e escritora portuense manifestou solidariedade com o movimento “Mais Habitação” e repudiou a violência policial que dispersou os manifestantes durante a madrugada de hoje da Praça D. João I, no Porto.

A rapper e escritora portuense Capicua manifestou hoje a sua solidariedade com o movimento “Mais Habitação” e repudiou a violência policial que dispersou os manifestantes durante a madrugada de hoje da Praça D. João I, no Porto.

“O Porto sempre se bateu pela Liberdade. A gente desta cidade sempre se bateu pelo Porto ferozmente (como aliás ficou na História), tal como agora se bate pelo direito a ficar, a não ser expulsa e empurrada para longe, pela dignidade de viver de cabeça erguida no lugar onde tem o coração”, escreveu Capicua na sua página do Instagram.

E acrescenta: “A repressão violenta da nossa Liberdade e desse ímpeto de lutar pelo direito à nossa cidade é um desrespeito por tudo o que o Porto representa. É uma traição”.

“Toda a minha solidariedade com os bravos da acampada e todo o meu repúdio pela ação da PSP do Porto e pela forma como a Câmara e o seu presidente, Pedro Duarte, têm lidado com a luta mais do que justa pelo direito constitucional à habitação”, afirma na sua publicação.

Escreve ainda que “afinal, em Portugal, o que interessa é continuar a vender pastéis de nata!”.

De acordo com um vídeo publicado na página no Instagram do movimento acampadaporto, Capicua esteve presente no protesto na quarta-feira à noite, onde considerou que as reivindicações do movimento são "mais do que justas" e que "é mesmo necessário fazer barulho".

"Temos de engrossar o movimento que acontece em Itália e Espanha porque a questão da habitação já é uma asfixia e o Governo só piora a situação com uma legislação inaceitável", afirmou numa declaração em vídeo.

O movimento pela habitação que desde sábado tem organizado uma acampada na Praça D. João I, no Porto, convocou hoje nova concentração, pelas 19:00, após a carga policial desta madrugada ter desmobilizado o ajuntamento.

Através do Instagram, a acampada convoca nova concentração, pelas 19:00, no local onde começou o movimento que, desde sábado, tem ocupado o local, mesmo que na segunda-feira a Polícia Municipal lhes tenha retirado cerca de 50 tendas e, esta madrugada, uma carga policial tenha causado, segundo contas do movimento, 37 feridos, dois graves.

“Face ao abuso policial, poder popular”, pode ler-se no cartaz para a concentração de hoje.

O movimento apresenta seis reivindicações principais: “abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas”.