Capicua: "o Porto não há de ser a morada do medo"

Rapper publicou um post com imagens da sua atuação ontem na manifestação pelo direito à habitação na Praça D. João I, a seguir à prestação ao vivo de Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves dos Clã.

A rapper Capicua publicou ao início desta tarde um post nas redes sociais com imagens da sua atuação ontem na Praça D. João I, no Porto, onde tem estado a decorrer diariamente a manifestação pelo direito à habitação. Entre as imagens publicadas pela artista, incluem-se cartazes com letras de algumas das suas músicas. E acima de tudo, deixou uma mensagem: “acampada do Porto, obrigada por estes dias de luta, pelo exemplo de resistência e por acolherem as minhas palavras, quer na praça, quer em cartazes. Seguiremos juntos para mostrar que o Porto é feito de Liberdade e que não há de ser a morada do medo!”, refere a autora do tema ‘Medo do Medo’.

Na atuação, Capicua interpreta em modo spoken word o seu tema ‘Brava’, dando voz a versos como: “Resiste como uma mulher trans sul-americana/Vota como uma mulher negra sub-urbana/Luta como uma mulher magrebina invicta/Defende as manas convicta/Sê brava e grita: Brava, brava, brava, brava, brava!”.

Uma das imagens de cartazes da manifestação em contínuo no Porto cita versos do tema de Capicua, ‘Souvenir’, que a rapper aborda o assunto da crise de habitação nas grandes cidades em Porto: Nós somos os fantasmas da cidade sem memória/Os que já não pertencem mas recusam-se a ir embora/Ficámos com os restos е os ratos nas vielas/Ficámos com o lixo dos hotéis de 5 estrеlas”.

Ontem, também a dupla nuclear dos Clã, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves, atuaram para os manifestantes, na Praça D. João I, tendo tocado canções como ‘Dançar na Corda Bamba’ ou a versão do original de José Mário Branco, “Eu Vi Este Povo Lutar”.

Na manifestação pelo direito à habitação em Lisboa, na praça do Rossio, atuaram Ana Moura, Gaspar Varela, Tim (com ajuda de Vitorino), Dino D’ Santiago ou Samuel Úria.