Carolina Deslandes: "o Martim Sousa Tavares é a cereja no topo do bolo" do concerto na MEO Arena

Cantora está a trabalhar em novo álbum, afirma em entrevista à nossa rádio.

No dia de anúncio do concerto na MEO Arena, em Lisboa, a 6 de março, Carolina Deslandes deu-nos uma entrevista à nossa rádio, sobre este espetáculo acompanhado de orquestra de 22 músicos, dirigida pelo maestro Martim Sousa Tavares. É um regresso da cantora à grande sala do Parque das Nações. “Nós pensámos em fazer outra vez o MEO Arena e em celebrar estes dez anos da ‘Vida Toda’. Eu sugeri logo que nós o fizéssemos com a orquestra, porque é a segunda vez, eu acho que tem de ter alguma coisa diferente. E uma vez que era um espetáculo de celebração de carreira e de assinalar um momento tão importante, acho que faz todo o sentido ter em palco uma pessoa que faz parte da minha vida desde sempre. Acho que não há nada que te mantenha os pés na terra de forma tão natural e tão inteira como te manteres perto das pessoas que te conheceram antes de tu te tornares aquele que tu és hoje, profissionalmente. E por isso vai ser uma celebração da carreira e da música que eu faço como Carolina Deslandes, mas também dos sonhos da Carolina antes de saber o que é que tudo seria”.

O espetáculo de 6 de março vai ter quase trinta músicos em palco. “Vou ter a orquestra, a minha banda e o Martim Sousa Tavares a dirigir, que é a grande cereja no topo do bolo. E depois, sou eu a cantar e alguns convidados que também fazem parte deste percurso”.

Carolina Deslandes e Martim Sousa Tavares já se conhecem há quase 30 anos. “Nós andámos na mesma turma na escola dos oito ou nove anos até aos 18”. Nos últimos anos, Martim Sousa Tavares já trabalhou algumas músicas. “Eu acho que da mesma maneira que tu podes juntar dois músicos, e por mais brilhantes que sejam, se não há amor, tu notas. Quando há muito amor, acho que a música é boa, mas esse amor é brilhante a todas as coisas. Eu acho que é isso que eu quero trazer para cima do palco e o Martim também, é juntar aquilo que eu sei fazer melhor, juntar aquilo que ele sabe fazer melhor, mas os dois em amor profundo e a querer muito que o outro brilhe, que o outro sobressaia. Acho que isso é a coisa mais bonita”.

Antevê-se muito trabalho para Carolina Deslandes nos próximos tempos: “Ainda estamos em preparações, já estamos a fazer arranjos. Estamos a preparar os arranjos e a fechar o alinhamento, para então depois começarmos os ensaios”.  

Não são os dez anos de carreira, nem o facto de conhecer bem a MEO Arena que vão tirar a inquietação a Carolina Deslandes para esta empreitada ao vivo. “Não, não estou à vontade. Sinto-me sempre nervosa. É uma responsabilidade muito grande. E a injeção de adrenalina que tu recebes no corpo antes de entrares num palco daquela dimensão faz sempre com que tu fiques nervosa. O dia que eu deixar de ficar nervosa é porque eu já não tenho noção do que está a acontecer. É porque já vira um hábito. Eu acho que isso é morte do artista. Isto não pode nunca virar um hábito”.

Carolina Deslandes dá a entender que o espetáculo na MEO Arena vai ser registado para a posteridade, incluindo no formato de disco ao vivo. O espetáculo “vai ser documentado, vai ser filmado, o som também vai ser todo gravado. Quero ficar com este registo”.  

A artista portuguesa está a trabalhar num novo álbum, que será o seu quinto longa-duração: “eu estava a fazer um disco que entretanto parei e recomecei, porque às vezes acontece, nós estávamos a fazer canções e não são as canções que são representativas da fase de vida que nós estamos a atravessar e então eu pensei: não é este disco que eu quero fazer agora. E recomecei, voltei ao zero. E as canções do disco que eu quero fazer agora têm-me encontrado. E têm saído com muita naturalidade e é isso. Fazer discos novos, fazer canções novas, aquilo que eu mais gosto de fazer é fazer música”.  

Sobre o assunto da habitação que está a mobilizar a sociedade portuguesa nas ruas de várias cidades portuguesas, sobretudo no Porto e em Lisboa, Carolina Deslandes está com muita vontade de participar nas manifestações no Rossio, e só uma virose gástrica aguda a impediu de se envolver mais cedo nestas mobilizações cívicas. “A minha ideia era ir sempre. Claro que cantaria sempre, claro que marcaria presença sempre e espero marcar hoje presença, agora que já me sinto melhor. Eu acho que é um dever de todos.  O problema da habitação não é só para as pessoas que efetivamente não conseguem alugar ou comprar uma casa. A partir do momento em que tu vives num país em que as necessidades básicas não estão a ser cumpridas é um problema de todos. E aquilo que está a acontecer é absolutamente inadmissível, não só com o valor a que as coisas estão face ao nosso ordenado, mas também com a reação que está a existir perante as manifestações. Nós estamos num país que se manifesta, que se manifesta pacificamente, que se manifesta de forma ordeira e certeira. Aliás, é por isso que nós somos reconhecidos pela única revolução pacífica no mundo e ainda assim estamos a pedir o básico e estamos a ser agredidos. Eu acho que isto é inadmissível”.

Carolina Deslandes indigna-se com alguns comentários nas redes sociais que tem lido sobre esta questão: “Eu hoje pus uma coisa no meu Instagram a dizer, ‘não podemos ser amigos se tu defendes a carga policial em cima de manifestantes pacíficos’. E é verdade, não podemos ser amigos. Toda a gente tem o direito de se manifestar e de se organizar para fazer uma manifestação. Esperaram que a comunicação social saísse, esperaram que as pessoas adormecessem. Foi de má fé. É de um nível de agressividade absolutamente desproporcional. Acho que acaba todos a usar a nossa voz para nos manifestarmos, para manifestarmos o nosso desagrado. É um problema social do nosso país, tem que ser um problema de toda a gente. Nós não podemos olhar para o nosso privilégio e pensar que se não me toca a mim, se eu tenho sítio onde morar, eu não me vou manifestar e não vou dizer nada. Porque é exatamente por isso que o mundo não avança. Nós queremos setorizar problemas de toda a gente, são gerais. Eu disse isto no meu TikTok".