Vento e calor dificultam combate a incêndio em Sabrosa, moradores retirados por precaução
Autarca Helena Lapa adianta que o vento "não tem ajudado nada" no combate ao incêndio cujo alerta foi dado às 13h19.
O incêndio que começou pelas 13h19 na localidade de Souto Maior, em Sabrosa, já obrigou à retirada, por precaução, de oito moradores.
Em declarações a esta rádio a partir do local, a autarca Helena Lapa, que ao início da tarde falava de um cenário "muito mau", deu conta de que o fogo está "controlado na aldeia de Souto Maior, mas avança em direção a Sabrosa" e, questionada sobre o número de frentes, reconheceu que "não se consegue saber".
Foram retiradas de zonas isoladas "oito pessoas, não mais que isso" e as casas "têm estado a ser protegidas", explicou, porque "os meios aéreos têm controlado o resto".
"Vento e calor intenso" continuam a ser as maiores dificuldades sentidas no terreno, mas a autarca sublinha que há meios de combate suficientes.
Ao início da tarde, Helena Lapa já tinha adiantado que o município estava a "tentar levar a população" a sair ou, pelo menos, "fechar as portas e sair do fumo", num momento em que o cenário era "muito mau" e com fogo "muito próximo das casas".
As condições no terreno desde o início do incêndio não são favoráveis ao combate e "o vento não tem ajudado nada".
Não há registo de casas ardidas nem ameaçadas.
Perigo máximo de incêndio
As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para esta quarta-feira, em Sabrosa, apontavam uma temperatura máxima de 35 ºC e o concelho está no nível máximo de perigo de incêndio rural.
De acordo com o site oficial da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, consultado às 17h52, estão no local 213 operacionais, acompanhados de 62 veículos e nove aeronaves.
O comandante dos Bombeiro de Sabrosa, José Barros, disse à agência Lusa que, pelas 16h30, o incêndio estava “incontrolado e com várias frentes”, designadamente três frentes no incêndio principal e depois várias projeções.
“Estamos a mobilizar os meios que é possível para combater, o vento está com muita intensidade, com direção completamente irregular, ele evolui em vários sentidos”, referiu José Barros.
"Uma faúlha no cimo da serra"
Maria Ferreira foi retirada do bairro do Tapado, em Souto Maior, juntamente com outros familiares e, naquele local, ficou o marido e um sobrinho.
“Aquilo está muito mal. Está pertinho das casas, muito perto das casas. Há um ano um senhor foi lá deitar pinheiros abaixo e ficaram lá os ramos, ficou lá tudo”, contou.
Segundo descreveu, foi “uma faúlha do cimo da serra” que levou o fogo para a zona de baixo.
“Foi tudo muito rápido (…). Muito vento e muito calor“, referiu Maria Ferreira.
Também Maria Amélia foi retirada do mesmo bairro, onde disse que andou com as mangueiras a espalhar água para o fogo não chegar perto das casas.
“Foi o senhor GNR que nos trouxe, porque eu não queria sair de lá, não queria deixar a minha casa”, referiu, salientando que, de repente, era “fogo por todo o lado” e que “parecia que era o inimigo”.
Notícia atualizada às 17h52


