Centeno recomenda famílias a terem "almofadas" de poupança
Apelo do governador do Banco de Portugal estende-de a Estado e empresas.
O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, recomendou esta terça-feira que o Estado, as empresas e as famílias voltem a ter "almofadas" de poupança para enfrentar os desafios que se avizinham. Declarações na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de outubro de 2024, em Lisboa.
Centeno apelou à prudência e à poupança das famílias, mas também dos restantes agentes económicos: "É o momento de todos construírem almofadas financeiras para o futuro”, numa altura de incerteza global. Destacou que "Sistematicamente temos revisto o início do processo de recuperação da economia europeia e temos menos inflação".
Tendo em conta este cenário, o governador reiterou que todos têm de construir almofadas financeiras, tanto o Estado como as empresas e famílias. "O Estado tem de acautelar o futuro preservando as poupanças que adquiriu", argumentou o antigo ministro das Finanças, nomeadamente num "momento em que o investimento está tão frágil".
Esta segunda-feira, o BdP anunciou que vai alterar a metodologia e que a reserva contracíclica de fundos próprios passará dos 0% atuais para 0,75% em 01 de janeiro de 2026. Ou seja, será nessa altura que os bancos terão de ter reforçado esta ‘almofada’ de capital.
O governador explicou que esta medida "tem um desfasamento grande porque os bancos têm de constituir almofada até 01 de janeiro de 2026", para "dar tempo para os agentes económicos se adaptarem".
No que diz respeito às famílias, Centeno destacou a revisão em alta das suas poupanças, que "vai situar-se acima de 11%".
Tal aconteceu num contexto de aumento do rendimento disponível, que "cresceu muito fortemente em 2024", com "fatores como salários, transferências e redução de impostos".
Ainda assim, "o rendimento disponível vai perder dinâmica nos próximos anos", pelo que o que esperam que aconteça e que "isto se faça sentir de forma muito moderada nos níveis de poupança".
