Centro IA Responsável ambiciona transformar-se em fundação
É uma organização sem fins lucrativos, independente de qualquer startup ou centro de investigação.
O consórcio Center for Responsible AI autonomizou-se em 15 de maio e passou a ser associação Centro para a IA Responsável, ambicionando um dia tornar-se fundação, avança em entrevista à Lusa o CEO.
No dia 15 de maio, às 15:00, "criámos esta organização sem fins lucrativos porque começámos há cerca de dois anos [...] a pensar pós-PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]" do consórcio, conta Paulo Dimas.
"Estamos a criar um ecossistema incrível" que "está a reter literalmente o melhor talento de inteligência artificial [IA] cá em Portugal", contextualiza, referindo que depois do PRR o objetivo é dar continuidade e daí ter-se avançado para esta organização.
Então, "encontrámos este modelo, que é uma organização sem fins lucrativos, completamente independente de qualquer líder de indústria, de qualquer startup em particular, de qualquer centro de investigação, que é um espaço para a criação de futuros consórcios", explica Paulo Dimas.
Aliás, "temos já um futuro consórcio em plano, que até já foi proposto, temos esperança que venha a ser aprovado e que no fundo irá dar continuidade à criação destes produtos inovadores" de IA, avança.
O modelo da organização é "centrado nas pessoas" e "um dia ambicionamos que se venha a transformar numa fundação para a inteligência artificial", almeja o CEO.
Entre os fundadores estão Paulo Dimas e André Eiras, cofundador da Sword Health, que lidera o consórcio da IA financiado pelo PRR.
Trata-se de um "modelo muito ágil de 'governance'" que permite pensar o futuro da IA e "também ser um interlocutor com o Governo, onde nós estamos - e eu pessoalmente faço parte do Comité Técnico de Acompanhamento para a Inteligência Artificial que foi criado no governo anterior - e, portanto, podemos funcionar aqui como [...] 'advisors' informais do governo, neste caso até é formal", acrescenta Paulo Dimas.
"Temos algumas das melhores mentes cá em Portugal" a pensar a IA, que vêm das startups e das com a escala da Sword, "mas também dos centros de investigação" e "líderes de indústria", pelo que é um modelo de parceria "entre estes três diferentes papéis", explica.
Paulo Dimas enfatiza que se conseguiu montar um consórcio "de grande escala num tempo aproximadamente recorde, em menos de um mês, graças às ligações de confiança" estabelecidas através dos elementos fundadores e de todo o ecossistema que criaram.
"Claro que criar uma fundação é algo que do ponto de vista financeiro é preciso ter uma alavancagem que nós não temos", confessa.
A associação Centro para a IA Responsável tem escritório no AIHub, em Lisboa.
"A nossa ambição é crescer no sentido de criar futuros consórcios nesta área, mas também de trabalhar muito num dos domínios que nós achamos que é precisamente determinantes para o futuro" da IA e que tem a ver "com a questão da confiança".
Portanto, "temos de garantir que um produto" como o de telerreabilitação da Sword, por exemplo, não discrimine entre pessoas mais gordas ou mais magras, "que não haja esses vieses", ou que quando um médico leia um relatório gerado por IA possa confiar no mesmo.
"Todos esses desafios inerentes a este paradigma da inteligência artificial têm de ser trabalhados do ponto de vista da confiança" na IA, pelo que "estamos a trabalhar num 'framework' [enquadramento] que permite de certa forma [...] dar um selo de confiança aos produtos de IA".
Um trabalho que começou na Feedzai e que "neste momento está já numa fase bastante desenvolvida e que o Centro será um veículo" de "continuidade" e "de espalhar este modelo" em Portugal e a nível europeu, diz.
"Estamos muito convictos que este é o modelo certo para que nós possamos confiar em inteligência artificial, (...) "é absolutamente fundamental", remata.
"Não é por acaso que o centro se chama Center for Responsible AI", reforça André Eiras, tudo o que é a criação de produtos, entre outros, "tem este selo de responsabilidade à volta dela".
Ou seja, quem está na esfera da associação, tem o selo de aprovação e "cria esta credibilidade", diz.
"Vai haver sempre as 'fake news' e vai haver sempre os algoritmos que nos estão a criar 'bias' [viés]. Aí não podemos fazer nada diretamente, porque nem sequer nós temos controlo sobre quem tem esses produtos no mercado, mas quem está a criar produtos [...] debaixo da 'umbrella' [chapéu de chuva] do Centro tem, efetivamente, essa confiança naquilo que estamos a criar", remata André Eiras e Dimas diz que é "uma vantagem competitiva".
