Cerca de 3 mil hectares de área ardida nos fogos em Boticas

O presidente da autarquia fala num "tsunami de fogo" que atingiu o concelho.

Os incêndios que começaram nas aldeias de Nogueira e Ardãos, em Boticas, atingiram cerca de 3.000 hectares de mato e pinhal, contabilizou hoje o presidente da câmara de Boticas, que descreveu um "tsunami de fogo" que atingiu o concelho.

"Os estragos são à volta de 3.000 hectares de pinheiro bravo e mato", afirmou à agência Lusa Guilherme Pires, presidente do município do distrito de Vila Real, apontado para uma contabilização preliminar da área ardida.

De acordo com informações da Proteção Civil, desde as 23:57 de sábado deflagraram três incêndios na freguesia de Ardãos e Bobadela, dois na aldeia de Nogueira, um dos quais alastrou a Chaves, e em Ardãos, que entrou no concelho de Montalegre.

O último dos fogos, que começou na terça-feira em Nogueira e sofreu uma reativação na quarta-feira, entrou em resolução às 09:20 de hoje.

"É como se fosse um tsunami que passou ali pelas nossas aldeias, pela nossa freguesia, um tsunami neste caso de fogo", salientou o autarca, que adiantou que ainda vai ser feita uma avaliação dos estragos no terreno.

Para além do mato e pinhal afetados, o presidente referiu ainda que as chamas atingiram áreas de pasto, apiários e, durante o combate, as máquinas de rasto derrubaram muros que será, agora, necessário repor.

"Mas ainda não fizemos o cálculo disso. Efetivamente há alguns apiários que se queimaram, outros que se salvaram por milagre, e alguns pastos e muros das propriedades que também têm que ser repostos, mas temos que avaliar", apontou.

O levantamento dos prejuízos será, depois, remetido ao Governo.

Guilherme Pires descreveu dias de sobressalto para o concelho de Boticas.

"Porque nós preocupamo-nos com as pessoas, com os bens, mas também nos preocupamos com a riqueza que é a nossa floresta e constantemente a arder, que vai demorar muitos anos a renovar. É uma riqueza que fica espumada, porque muitos dos nossos conselhos diretivos tiram rendimento precisamente da floresta e das árvores. E agora, pronto, é um começar de novo", salientou.

De acordo com informações da página da Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 14:30 de hoje estavam mobilizados para o fogo, que começou terça-feira e que se encontra em resolução, 318 operacionais, que contavam com o apoio de 99 viaturas e quatro meios aéreos.

O dia de hoje, segundo o presidente, vai ser ainda de rescaldo, consolidação, vigilância e de atenção redobrada.

"Até porque o fogo já esteve distinto por duas ou três vezes e efetivamente houve reacendimentos, e reacenderam com muita violência. Esperemos que as condições climatéricas nos ajudem", afirmou, lembrando que o calor intenso e o vento forte, mas também a orografia, complicaram o combate.

Acrescentou que o combate, depois de se ter verificado um reforço de meios, "correu muito bem", tendo sido "muito eficiente o trabalho dos bombeiros e todas as instituições envolvidas".