China diz que independência de Taiwan é "incompatível" com a paz após novos exercícios militares
Exército de Pequim iniciou durante a madrugada exercícios terrestres, marítimos, aéreos e de mísseis
A independência de Taiwan é “incompatível” com a paz, afirmou esta segunda-feira a diplomacia chinesa, numa altura em que o Exército chinês está a realizar exercícios militares de larga escala em torno da ilha.
A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, disse, em conferência de imprensa, que a China está empenhada na “paz e estabilidade na região”, algo que “todos os grandes países podem ver”.
“Se os EUA estão interessados na paz entre os dois lados do Estreito de Taiwan, devem respeitar o princípio ‘uma só China’, não enviar sinais errados às forças pró-independência e deixar de fornecer armamento a Taiwan”, acrescentou.
Mao respondeu assim a declarações do Governo dos EUA, que expressou hoje a sua “preocupação” com a nova vaga de exercícios militares iniciada pelo Exército chinês, sublinhando que são “injustificados” e podem “escalar” a tensão na região.
Os exercícios, designados Joint Sword-2024B, incluem simulações de bloqueios e controlo de portos importantes, e servem como “advertência” às forças “independentistas” de Taiwan, segundo o ministério da Defesa chinês.
A China reivindica a soberania sobre Taiwan, um território que considera uma “província rebelde” desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para lá em 1949, depois de terem perdido a guerra contra o exército comunista.
As manobras envolvem exércitos terrestres, marítimos, aéreos e de mísseis. Pequim também confirmou a utilização do porta-aviões Liaoning.
Nos últimos dias, Taiwan já tinha alertado para o facto de o Liaoning, o mais antigo dos três porta-aviões da China, estar a navegar nas águas em redor da ilha, dirigindo-se para sudeste da ilha de Yonaguni, no extremo sul do Japão.
O porta-voz da Guarda Costeira chinesa, Liu Dejun, afirmou em comunicado que as formações 2901, 1305, 1303 e 2102 da CCG realizaram hoje “patrulhas de aplicação da lei” nas águas próximas de Taiwan, o que constitui “uma ação prática para gerir e controlar a ilha de acordo com o princípio de ‘uma só China’”.
A autoridade marítima chinesa também realizou “inspeções exaustivas” no arquipélago de Matsu, ilhas controladas por Taiwan situadas a poucos quilómetros da costa chinesa, com o objetivo de “avaliar as capacidades de resposta rápida e de gestão de emergências”, de acordo com outro comunicado da agência.
A ação de hoje é a quinta vez que a China recorre a este tipo de manobras desde 2022, altura em que levou a cabo a primeira deste calibre em resposta à visita da então Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan, que enfureceu Pequim e elevou as tensões entre os dois lados do estreito a níveis nunca vistos em décadas.
