Chris Martin à Comercial: "sinto esperança na comunidade LGBTI+, são as pessoas que têm coragem de dizer: 'eu sou assim'"

Chris Martin e Jonny Buckland conversaram com o Pedro Ribeiro. A banda inglesa atua amanhã e no domingo no Estádio Cidade de Coimbra

Os Coldplay continuam em Coimbra, cidade onde vão dar mais dois concertos dos quatro que agendaram para Portugal no âmbito da digressão "Music of the Spheres" - a tour que serve o disco, com o mesmo nome, que o quarteto inglês editou em 2021. A banda britânica encheu o Estádio Cidade de Coimbra nos dias 17 e 18 de maio. A magia volta a acontecer nos dias 20 e 21. 

O Pedro Ribeiro conversou com o vocalista Chris Martin e o guitarrista Jonny Buckland no dia 17 de maio, o primeiro dia das quatro atuações e também o dia que em se assinalou o Dia Nacional e Internacional contra a homofobia, transfobia e bifobia. Uma parte da conversa foi precisamente sobre a importância da comunidade LGBTI+ na evolução das sociedades. 

Hoje é um dia muito importante em Portugal, porque ontem, pela primeira vez, tivemos representado o arco-íris [símbolo LGBTI+] no edifício da Assembleia da República. Foi a primeira vez que a Assembleia da República prestou mais atenção a esta comunidade e disse: 'estamos aqui para vocês, há esperança'. Gostaria que vocês, nesta altura tão importante, enviassem uma mensagem a essas pessoas. Isto porque vocês sempre lutaram para haver mais compaixão e amor entre as pessoas...

Chris Martin: Eu sinto que a comunidade LGBTI+ está a liderar a Humanidade. São as pessoas que têm coragem de dizer: "eu sou assim. Não preciso de usar uniforme ou de concordar com aquela pessoa. Vou ser eu próprio". Normalmente, quando as pessoas são elas próprias não desejam mal a ninguém. Todas as pessoas gays, trans, seja o que for, que eu conheço só, se se sentirem elas próprias, só desejam coisas boas aos outros.  É por isso que sinto que há muita esperança nessa comunidade. A minha experiência diz-me que quanto mais livres formos menos odiamos os outros. Sinto muito amor e respeito por essa comunidade. Ajudaram-me muito na minha e vida. Ajudaram-me a compreender a minha própria sexualidade, ajudaram-me na minha maneira de pensar e na forma como lido com os outros. Não temos de viver conformados com algo que foi inventado há 300 anos quando isso já não nos serve, certo? Não há problema em usar roupas diferentes, ouvir música diferente, em sermos nós próprios. É muito bonito sermos nós próprios. Se toda a gente conseguisse ser quem realmente é, muitos problemas iriam desaparecer. É o que eu sinto.   

Pode ver a entrevista na íntegra aqui: