A liberdade endiabrada de CMAT no terceiro dia do Alive
O palco NOS abriu com as canções e a atitude da artista irlandesa que, entre canções, dança e conversa, ainda aproveitou para lanchar durante o concerto.
A irlandesa Ciara Mary-Alice Thompson - conhecida como CMAT - abriu o palco NOS no último dia da 17.ª edição do festival Alive - dia que esgotou tal como o primeiro que recebeu Mark Ambor, Benson Boone,
Noah Kahan e Olivia Rodrigo no palco maior do recinto.
Embora o humor lhe corra no sangue artístico e se manifeste ao longo de todo o espetáculo que monta no palco, a cantora e compositora, nativa dos encantos de Dublin, é um caso sério.
No currículo discográfico, gabado pela crítica especializada, tem dois álbuns editados - "If My Wife New I’d Be Dead" (2022) e "Crazymad, For Me" (2023). "Euro-Country", o terceiro, vai ser "libertado" em agosto. E desse ouvimos em Algés dois temas.
Feita de uma mistura de fina de géneros - como pop, country, folk, indie-pop e até das suas mais dignas raízes irlandesas - a teatral CMAT agarrou o público assim que meteu os pés no palco.
Após uma apresentação pomposa, feita por um dos elementos da banda que a acompanha, a cantora - abeçoadamente desbocada - entra no espaço para impressionar, para divertir e, sobretudo, para se divertir. 'Have Fun!' - lá está - é a primeira canção e metê-la a dançar em liberdade absoluta. Teatral em muitos momentos e mais espontânea noutros, a irlandesa dança com ela própria, mas também puxa pelo público que, contagiado pelo êxtase libertado do palco, vai entrando no espírito sui generis e cativante da cantora.
Ao alinhamento vai buscar depois 'I Don't Really Care for You', "de If My Wife New I’d Be Dead", convocando alguns músicos para, juntos, comporem uma linha da típica dança country. No momento a seguir já está a exibir as habilidades da voz.
Muito conversadora, exuberante e doce, desabafa entre as canções. "Sou demasiado ruiva para estar aqui. Há muito sol", diz à plateia que tem à frente. O meu nome é CMAT. Sou de um lugar mágico, que fica longe daqui, chamado Irlanda”, informa, acrescentando que a banda é composta por filhos de vários lugares, do País de Gales ao Arizona, nos Estados Unidos.
Em '2 Wrecked 2 Care' mete a guitarra nos braços, cantando depois 'Aw, Shoot!'.
Antes de entregar a voz a 'Take a Sexy Picture of Me' - um dos temas do novo álbum - muda o tom para um desabafo mais sério. "Tenho tido a sorte de atuar em festivais grandes e adoráveis como este. No ano passado, tocámos em alguns. As pessoas filmaram-nos com os telefones e publicaram os vídeos na internet. Posso dizer que li comentários muito maldosos sobre a minha aparência física. O que é uma loucura. Como podem ver, sou muito sexy", remata, com humor, disfarçando talvez a mágoa de ter de esbarrar com esse tipo de observações. Sentada no palco, e agora em tom de provocação, ergue a perna para finalizar o statement.
Começa a cantar 'The Jamie Oliver Petrol Station' agachada mas num ápice corre para a língua de palco para acenar a toda a gente. Para acenar e para trocar impressões com quem avista do palco. Endiabrada, pega depois na guitarra, com fúria inofensiva, e estende a voz para chegar a todos os cantos do recinto.
Quase no final do concerto, CMAT lembra-se de pedir um pastel de nata, sublinhando que cá é que se fazem pastéis de nata a sério. O pedido foi prontamente concedido. CMAT lanchou durante o concerto para depois, já saciada, reunir a banda em rodinha - numa espécie de ritual de amigos. Juntos pegam em 'Running/Planning' - outra do disco que está prestes a sair.
Algés escuta ainda 'I Wanna Be a Cowboy', ficando 'Stay for Something' para o fim. CMAT, sempre com a energia no pico, desceu para a plateia, saltando as grades para ficar no meio do público. O final foi com a irlandesa, aos pulos, a fazer a festa entre nós.
