Agricultores receberam apenas 1% dos prejuízos das tempestades

A CNA sublinha que os atrasos devem-se, sobretudo, à falta de recursos humanos para avaliar as candidaturas.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) lamentou hoje que apenas 1% dos prejuízos causados pelo mau tempo tivesse sido alvo de apoio pago, sublinhando que os atrasos devem-se, sobretudo, à falta de recursos humanos.

"Poucos dias depois da tempestade Kristin ter devastado a região Centro, quando o ministro da Agricultura anunciou milhões e euros de apoios para os agricultores afetados e que as candidaturas já estavam abertas, ninguém esperaria que, passados mais de quatro meses, apenas 1% dos prejuízos tivesse sido alvo de apoio pago", criticou, em comunicado, a CNA.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pela confederação, foram apresentadas cerca de 7.700 candidaturas e declarações de prejuízo, correspondendo a danos declarados que ultrapassam os 550 milhões de euros.

Destes, 206 milhões de euros foram contabilizados na região Centro, 167 milhões de euros em Lisboa e Vale do Tejo e 180 milhões de euros no Alentejo.

Já os dados do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas revelam 847 candidaturas, que correspondem a 5,6 milhões de euros de apoios pagos.

Para a confederação, estes atrasos devem-se à falta de recursos humanos nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para avaliar as candidaturas.

Por outro lado, a CNA indicou que não existem dados atualizados, de forma regular, sobre o número de candidaturas submetidas, analisadas e pagas.

"Mas todo este processo, incluindo naquilo que (não) está a chegar aos agricultores, revela também a falta de vontade política para uma efetiva resposta à calamidade que atingiu milhares de agricultores", sublinhou a confederação, exigindo ao Governo a "urgente alocação dos meios necessários para que o Estado cumpra com a palavra dada".

A Lusa contactou o Ministério da Agricultura e Mar e aguarda uma resposta.