Coimbra, Mealhada e Cantanhede querem criar corredor industrial, logístico e ferroviário

Os três municípios estão a preparar uma proposta para a criação de uma Grande Área de Acolhimento Empresarial.

Os municípios de Coimbra, Mealhada e Cantanhede querem transformar o eixo Coimbra–Mealhada–Cantanhede num corredor industrial, logístico e ferroviário de dimensão nacional, através da criação de uma Grande Área de Acolhimento Empresarial, revelou hoje a Câmara da Mealhada.

“Esta é uma excelente oportunidade para ganhar dimensão e escala e dar resposta às exigências de uma nova geração de indústria no Centro de Portugal, afirmou o presidente da Câmara da Mealhada, António Jorge Franco.

A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, anunciou esta manhã que vai apresentar uma candidatura ao PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência) para “uma grande zona industrial”, na área de Souselas.

Segundo a autarquia da Mealhada, os três municípios estão a trabalhar conjuntamente na preparação da proposta para a criação de uma Grande Área de Acolhimento Empresarial de dimensão nacional, no âmbito do desafio lançado pelo Governo para a criação de seis grandes áreas empresariais no país para fixar empresas multinacionais.

A proposta pretende afirmar este espaço como “um corredor industrial, logístico e ferroviário, capaz de combinar áreas de acolhimento empresarial, ferrovia, rodovia, energia, logística, conhecimento e ligação aos principais portos da Região Centro”.

“A localização beneficia da proximidade a importantes infraestruturas de transporte, designadamente a A1, IP3 e IC2, bem como da ligação ferroviária através da Linha do Norte e da Linha da Beira Alta, com particular relevância para o nó ferroviário da Pampilhosa”, referiu.

António Jorge Franco aproveitou para destacar o papel que a Mealhada poderá assumir neste contexto, com a implementação da Plataforma Logística da Pampilhosa, “reforçando a capacidade deste território para acolher investimentos empresariais de maior dimensão e empresas que procuram novas soluções logísticas e de localização”.

A Plataforma Logística da Pampilhosa poderá “constituir uma infraestrutura complementar e estruturante para o reforço da intermodalidade e das soluções logísticas associadas à futura área empresarial”.

Outro dos elementos diferenciadores da proposta será “a articulação com os Portos de Aveiro e da Figueira da Foz, reforçando a ligação entre as empresas que se possam instalar neste território e as cadeias logísticas nacionais e internacionais”.

Para os três municípios, esta articulação permite “pensar o desenvolvimento empresarial para além das tradicionais zonas industriais, criando condições para uma nova geração de acolhimento empresarial, orientada para projetos de maior dimensão, para a internacionalização, para a inovação, para a eficiência energética e para a sustentabilidade”.

“A dimensão territorial constitui igualmente um fator diferenciador. A proposta envolve municípios pertencentes à Região de Coimbra e a dois distritos (Coimbra e Aveiro), criando uma plataforma territorial com capacidade para estabelecer uma ligação estratégica entre o eixo Coimbra–Aveiro, o sistema ferroviário nacional e as infraestruturas portuárias da Região Centro”, indicou.

Segundo a Câmara da Mealhada, os três municípios estão a consolidar a informação técnica necessária à definição da área de intervenção, condições de infraestruturação, capacidade energética, acessibilidades, oferta de terrenos e potencial de procura empresarial.

Está também a ser desenvolvida uma estratégia de envolvimento de empresas, associações empresariais, entidades do sistema científico e tecnológico e infraestruturas logísticas e portuárias, “procurando demonstrar que a proposta responde a necessidades concretas da economia e não constitui apenas uma reserva de solo para futura utilização”.

A proposta será apresentada no âmbito da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, “procurando afirmar esta iniciativa como um projeto de interesse supramunicipal e regional, com capacidade para contribuir para a competitividade económica do Centro de Portugal”.