Com avaliação de risco extremo ciclovia da Rua Castilho vai ser reformulada

A via tem "0,6 quilómetros com 100% [de risco] e vias cicláveis na estrada, sem barreiras físicas e totalmente exposto ao tráfego automóvel", indica estudo do ACP sobre risco das ciclovias de Lisboa.

A Câmara de Lisboa pretende reformular a ciclovia da Rua Castilho e reforçar as medidas de segurança e de acalmia de tráfego nesta artéria de “forte circulação viária" no centro da cidade, afirmou o vice-presidente do executivo municipal.

“A solução inicial da ciclovia da Rua Castilho, colocada junto às ruas de atravessamento, não é a adequada. Por isso, demos orientações claras à Direção Municipal de Mobilidade, para que desenvolva uma versão corrigida e melhorada, colocando a ciclovia da Rua Castilho no lado poente da via, junto ao Parque Eduardo VII”, disse o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Gonçalo Reis (PSD), citado num comunicado enviado à agência Lusa.

O autarca do PSD e responsável pelo pelouro da Mobilidade assumiu este compromisso durante a reunião descentralizada da CML, na quarta-feira, em resposta a perguntas de munícipes das Avenidas Novas, freguesia onde se insere a Rua Castilho.

“Será também estudada a possibilidade de uma ciclovia complementar na Alameda Edgar Cardoso, ou seja, no perímetro do Parque Eduardo VII, ligando ao Marquês de Pombal”, adiantou Gonçalo Reis, referindo ainda que uma das melhorias a realizar com este projeto será a ligação da ciclovia até à Rua Rosa Araújo, e à Avenida da Liberdade, assegurando a integração no eixo central e a efetiva conexão à rede ciclável.

Além disso, a Direção de Mobilidade da CML irá reforçar os instrumentos de acalmia de velocidade e as ações de segurança rodoviária na Rua Castilho, “com respeito pelos peões, tal como tem vindo a fazer em outras zonas da cidade com forte circulação”, disse o autarca.

“Temos de ter ciclovias em Lisboa bem desenhadas, bem integradas na malha urbana, verdadeiramente funcionais e que sejam linhas eficazes de circulação e integração na rede ciclável”, defendeu o vice-presidente da CML.

Afirmando que a atual via ciclável da Rua Castilho “pertence à primeira geração de ciclovias”, Gonçalo Reis disse que o conhecimento técnico de hoje permite “introduzir melhorias que elevam a qualidade e a segurança, corrigindo os erros de projeto e melhorando a funcionalidade e a experiência dos cidadãos”.

Segundo o estudo “Avaliação de risco das ciclovias de Lisboa”, promovido pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP) e apresentado em julho de 2025, que avaliou a segurança de 51,56 quilómetros (km) da rede ciclável da capital, cerca de 11 km de ciclovia são de risco elevado ou extremo, o que corresponde a 22,09%, enquanto 53,53% são de risco médio e 24,38% de baixo risco.

De acordo com esse estudo, na Rua Castilho, via que apresenta categoria de risco extremo e elevado, o segmento tem “0,6 quilómetros com 100% [de risco] e vias cicláveis na estrada, sem barreiras físicas e totalmente exposto ao tráfego automóvel”.

O estudo do ACP apresentou como recomendação mais abrangente “relocalizar a via ciclável para o lado oposto da rua, garantindo segregação física total”, eliminando conflitos com veículos e reduzindo interações com peões.

A deslocação da ciclovia da Rua Castilho para o lado esquerdo resulta em “100% de risco reduzido de colisões entre veículos e bicicletas” e expande significativamente as zonas de risco reduzido relativamente a outros tipos de acidente, constituindo uma transformação fundamental em termos de segurança, segundo o estudo.