Comboio Literário leva escritores e leitores numa viagem pelo Alentejo

Comboio Literário junta escritores e leitores numa viagem pelo Alentejo para celebrar os livros.

Promover a leitura de forma diferente, aproximar escritores e leitores e transformar uma viagem de comboio numa experiência cultural. É esta a proposta do primeiro Comboio Literário, iniciativa da editora LeYa em parceria com a CP – Comboios de Portugal, que durante dois dias vai percorrer o Alentejo com autores, leitores e debates literários a bordo.

Segundo o administrador da LeYa, David Lopes, a ideia nasceu da vontade de criar novas formas de promover os livros fora dos espaços tradicionais. “Este comboio pretende ser, em primeiro lugar, um hino aos livros, aos autores e aos leitores. É uma forma diferente de promovermos a leitura, de chamarmos a atenção para a importância da leitura e dos livros.”

A escolha do comboio não foi por acaso. Para a organização, este é um dos cenários mais simbólicos da literatura, associado à viagem, à reflexão e ao encontro entre pessoas. “Quando olhamos para os meios de transporte que nos podem reunir a caminho de algo, achamos sempre que talvez o meio de transporte mais literário seja o comboio. É suficientemente rápido para nos levar de A para B e suficientemente lento para permitir que as pessoas conversem durante a viagem.” O imaginário ferroviário atravessa inúmeras obras, de romances policiais a poesia, passando pela literatura de viagens. “Pensamos em títulos que nos cruzam com o comboio, desde Um Crime no Expresso do Oriente, ao poema Comboio Descendente, de Fernando Pessoa, ou aos livros de Paul Theroux. É um meio de transporte que nos inspira.”

O Comboio Literário vai reunir cerca de duas dezenas de escritores e perto de 150 leitores, numa viagem que inclui conversas informais, sessões de autógrafos e atividades culturais dentro e fora das carruagens, algumas delas históricas, cedidas pela CP. “Queremos que seja um momento de profunda alegria e comunhão entre leitores e escritores. Haverá interação, livros disponíveis para leitura, autógrafos e muita conversa durante a viagem.” O percurso inclui paragens simbólicas, como a estação de Casa Branca, onde serão oferecidas bibliotecas LeYa a autarquias da região, e a chegada a Évora, no último dia da Feira do Livro local. “Vamos participar em debates literários fora do comboio, ter almoços e jantares literários e também conhecer o território. Queremos ir ao encontro do Alentejo, da sua cultura, da sua história e da sua música.”

A viagem segue ainda até Vila Viçosa, onde os participantes visitam o Paço Ducal, mantendo sempre a ligação entre literatura, património e identidade regional.

Para a LeYa, a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação entre autores e leitores, essencial para aumentar os hábitos de leitura em Portugal.

“Não podemos esperar que os índices de leitura aumentem sem colocarmos os livros de forma diferente na vida das pessoas. Não basta dizer ‘tens de ler mais’. Temos de criar interesse, temos de viver os livros de outra maneira.”

O responsável defende que iniciativas culturais promovidas por autarquias, bibliotecas e festivais literários têm sido fundamentais para esse caminho.

“É com persistência e com compromisso que podemos contribuir para que a leitura nos faça mais felizes no final do dia.”

Este é o primeiro Comboio Literário, mas a intenção é que não seja o último. A organização admite já estar a pensar em novas rotas e outros destinos. “Temos ideias para rumar a Norte, para rumar a Sul. Tivemos uma resposta muito positiva da CP, das autarquias e das entidades de turismo, e queremos continuar a ir ao encontro dos leitores de uma forma diferente.”

No final, o objetivo é que quem participa leve consigo a sensação de ter vivido algo único “. Gostava que as pessoas chegassem ao destino com a ideia de que ‘não perderam o comboio’. Que levem uma experiência para partilhar com outros. Se vierem felizes, como diz o poema, então já valeu a pena.”