Começa o Festival Iminente: trabalho com as comunidades é um dos destaques
O trabalho do Iminente com comunidades de territórios ‘excluídos’ de Lisboa tem vindo a crescer e isso reflete-se na programação do festival, que celebra dez anos, com uma nova edição, entre hoje e domingo em Marvila.
O trabalho do Iminente com comunidades de territórios ‘excluídos’ de Lisboa tem vindo a crescer e isso reflete-se na programação do festival, que celebra dez anos, com uma nova edição, entre hoje e domingo em Marvila.
O Festival Iminente, que junta música e artes plásticas, realizou-se pela primeira vez em 2016, em Oeiras, mudando-se à 3.ª edição, em 2018, para Lisboa.
Numa primeira fase, recordou António Brito Guterres, da equipa de programação do Iminente, em declarações à Lusa, realizavam-se ‘workshops’ no recinto do festival, virados para as comunidades de alguns bairros da capital, que passaram depois a ser feitos nos territórios dessas comunidades.
Hoje, essas pessoas estão presentes no festival de várias maneiras, “algumas invisíveis, caso das que trabalham na produção e montagem do festival, e outras visíveis, como as que têm expostos os seus trabalhos ou sobem ao palco durante o festival”.
Este ano, o projeto Bairros voltou a trabalhar com associações e comunidades da Alta de Lisboa, Quinta do Lavrado e Bairro Branco, mas chegou pela primeira vez aos bairros da Madredeus, Alfinetes, Salgadas, Quinta do Marquês de Abrantes e Quinta do Chalé. Maioritariamente bairros situados na zona Oriental da cidade.
“Apesar de termos alargado os locais onde fazemos os ‘workshops’, temos investido sempre em fazer nos mesmos sítios”, referiu António Brito Gueterres, acrescentando que “a ideia é poder aprofundar” o trabalho nestes “territórios de exclusão da Grande Lisboa, que têm muito poucos recursos”.
Os 'workshops' abrangem várias áreas, como artes visuais, música, performance, design e cinema, e são pensados em parceria com associações locais.
Este ano, por exemplo, o guitarrista, compositor e artista multidisciplinar Nuno Cintrão esteve na Quinta do Lavrado a dinamizar uma oficina de construção de instrumentos e experimentação musical, em parceria com a Geração com Futuro.
Já a Oficina Fritta levou a serigrafia à Alta de Lisboa, para uma série de oficinas, desenvolvidas com a Associação Bairro da Quinta Grande.
“O Iminente entrar nestes territórios com ‘workshops’ garante que, pelo menos na área da cultura e da arte, há algum tipo de atividades para as pessoas lá. E ao fazer durante vários anos, implica que isso tenha algum impacto na vida daquelas pessoas”, disse António Brito Guterres, lembrando que as associações destes bairros muitas vezes têm projetos, mas não o financiamento necessário para os concretizar.
Os resultados dos vários ‘workshops’ são apresentados durante o festival, tanto em exposição como nos palcos.
As associações dos vários bairros também estarão no recinto, no espaço Arraial.
“Os bairros trazem a sua comida e vendem-na, e isso é importante para as famílias”, afirmou. Além de comida, há também bancas de venda de outros produtos, vestuário, acessórios ou livros.
“Muitos dos ‘workshops’, a pedido dos bairros, são 'workshops' cujo resultado se transforma em produtos, em camisolas para vender, por exemplo, e isso também tem um retorno para as associações. Eventualmente algumas também agarram na experiência do Iminente e fazem candidaturas para financiamentos”, disse António Brito Guterres.
Nesta edição, os bairros de Lisboa estão igualmente representados no festival através de clubes locais, num projeto de António Brito Guterres e Ayton César Monteiro, com génese num trabalho que ambos desenvolveram para o 'site' Mensagem de Lisboa.
Os dois tinham “conspirado a ideia de poder fazer um ‘rebranding’ das camisolas dos clubes com artistas”. A nova localização do recinto do festival foi o impulso que faltava, visto serem sobretudo clubes das zonas de Marvila e do Beato.
“Associámos a cada um deles um artista, que entrou no mundo dos clubes, conheceu história, falou com os dirigentes. A partir disso fizeram uma proposta que para alguns clubes serve de ‘merchandise’, para venderem e terem uns trocos a mais, e para outros como equipamento, para ser usado nas competições”, contou António Brito Guterres, destacando que esta é também “uma maneira de articular histórias, acelerar a história do território”.
As novas camisolas de clubes como o Clube Futebol de Chelas, o Clube Oriental de Lisboa, o Sociedade Musical 3 d'Agosto de 1885 ou o Torre Laranja FC são apresentadas no sábado, às 16:30, num jogo de futebol apadrinhado pelo jogador holandês Edgar Davids, onde será revelada uma bola de futebol criada por Vhils para a associação de futebol de rua do ex-internacional, que representou clubes como o Ajax, o Milan, a Juventus e o Barcelona.
O jogo de futebol é apenas uma das muitas atividades da programação do Festival Iminente, que decorre entre hoje e domingo, na antiga Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila, encerrada em 2010, por estar situada no caminho do projeto da Terceira Travessia sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, que permitiria a passagem do comboio de alta velocidade.
Ao longo dos quatro dias, serão mais de 140 os artistas e bandas que irão atuar em cinco palcos, entre os quais DJ Premier, Ustad Fazel Sapand, AJULLIACOSTA, La Familia Gitana, Dead City, Sam The Kid (que, com Orquestra e Orelha Negra, irá apresentar o álbum “Beats Vol.1: Amor”), Mind Da Gap, Micro, Mão Morta, num espetáculo com o acordeonista João Barradas e a artista visual Mariana Vilanova, Dino d’Santiago, Batida, Lena d’Água, La Familia Gitana, Gisela João, DJ Marfox e DJ Nigga Fox, Ana Lua Caiano, A Garota Não e UN!DD, projeto que junta Acácia Maior, Cachupa Psicadélica, Fidju Kitxora, Prétu e Scúru Fitchadu.
O programa inclui também sessões de cinema, conversas, performances de dança e instalações artísticas, de Vhils, Halfstudio, 3D Crew, Wasted Rita, ±MaisMenos±, Tamara Alves, Pedrita e Obey SKTR, entre outros.
A programação completa pode ser consultada no 'site' www.festivaliminente.com.
Os passes para os quatro dias de festival estão esgotados. A partir de hoje só há bilhetes diários à venda.
A organização aconselha o uso de transportes públicos para se chegar ao local.
