Como estar preparado para uma catástrofe urbana
O instrutor de sobrevivência Rubim Fonseca conta-nos como podemos estar preparado para o imprevisível.
O apagão de 28 de abril de 2025 e as tempestades aconteceram no início deste ano mostraram a necessidade de estar preparado para todas as frentes.
No lançamento português do livro "SAS Manual de Sobrevivência", de Jogn "Lofty" Wiseman, o instrutor de sobrevivência da SCORNIA Rubim Fonseca deixou algumas dicas para sobreviver a catástrofes urbanas ou estar preparado para todos os cenários.
Quando o inesperado acontece, Rubim considera que o comportamento coletivo revela "mais do que qualquer plano de contingência". O medo instala-se rapidamente e com ele desaparece o civismo, como aconteceu no apagão: “As pessoas vão na rua todas agarradas a uma lata de atum e um saco de arroz como se fosse ouro, com ar de pânico". A única forma de evitar o caos é a prevenção, "quem se preparou antes está super relaxado.” Acima de tudo, estar preparado não é apenas um ato individual, é a diferença entre a autopreservação e a entreajuda.
“Somos solidários quando estamos seguros. Quando sentimos que a nossa vida ou a da nossa família está em risco, o instinto é de autopreservação.”
A preparação preventiva, apesar de ser muitas vezes associada a "paranoia" ou "alarmismo", é essencial. Rubim destaca que "o fim do mundo acontece todos os dias a alguém": um acidente grave, um incêndio urbano, um apagão prolongado ou um sismo local são suficientes para colocar qualquer pessoa numa situação de risco. Mais do que os materiais e equipamento, o fator psicológico pode fazer toda a diferença: “Quanto mais conhecimento tiverem, mais tranquilos vão estar.”
Regra dos três: Conhecer os limites
Rubim ensina que o essencial é conhecer a chamada "Regra dos três", que define os limites críticos de sobrevivência humana, por tempo:
- Três segundos de distração podem causar um acidente grave;
- Três minutos sem oxigénio ou com uma hemorragia podem;
- Três horas sem abrigo, exposto ao frio ou ao calor extremo;
- Três dias sem água;
- Três semanas sem comida minam o organismo e a capacidade de decisão.
Kit de sobrevivência: "O objetivo não é ter tudo, é ter o necessário e saber usá-lo”
Preparar-se para uma eventual catástrofe não significa acumular bens nem investir muito dinheiro. Um kit de sobrevivência para 72 horas, o tempo crítico após uma emergência, pode ser simples, compacto e adaptado à realidade urbana. Segundo o formador, há elementos essenciais que fazem a diferença:
- Água potável ou meios para filtra-la que sejam suficientes para pelo menos três dias;
- Alimentos não perecíveis, de preferência energéticos e fáceis de consumir;
- Manta térmica: leve e versátil, útil para frio, calor ou abrigo;
- Uma lanterna
- Bateria Móvel
- Rádio portátil, a pilhas ou com carga manual, para acesso à informação;
- Apito;
- Kit de primeiros socorros, com medicação essencial;
- Cópias de documentos importantes;
- Dinheiro físico;
- Canivete;
- Uma muda de Roupa - de preferência impermeável e que seja adaptada à estação do ano.
Ao essencial, Rubim recomenda que cada pessoa faça escolhas e adapte o que é necessário às suas preferências.
