Compilações dos Beatles reeditadas hoje
A nossa rádio emite um especial documental sobre os Fab Four.
Saem hoje as reedições das célebres compilações dos Beatles, "1962–1966" e "1967–1970", mais conhecidos respetivamente como os discos "vermelho" e "azul", por causa das cores dos designs dos álbuns.
Estas reedições assinalam o 50º aniversário dos seus lançamentos. Estas duas compilações tiveram um sucesso considerável e mesmo intemporal, tendo contribuido para a renovação geracional de fãs de Beatles que não puderam viver a euforia nos anos 60 à volta do quarteto de Liverpool.
"1962–1966" e "1967–1970" são hoje reeditados nos formatos de duplo CD e de triplo vinil e têm principal novidade a inclusão (em "1967–1970") da recém-publicada música 'Now and Then', apresentada como "a última música dos Beatles", surgida a partir de uma velha maqueta de John Lennon, trabalhada nos anos 90 pelos restantes três Beatles e decisivamente aprimorada recentemente pelas novas tecnologias.
A nossa rádio vai emitir um programa documental que narra toda a história dos Beatles, com base nas canções de "1962–1966" e "1967–1970". O programa documental conta com depoimentos de todos os membros dos Beatles (incluindo os falecidos John Lennon e George Harrison), do produtor George Martin (também já malogrado) e ainda de outras personalidades como Brian Wilson (o compositor principal dos Beach Boys), o falecido Tom Petty, Dave Grohl (lider dos Foo Fighters), o produtor Rick Rubin, entre outros.
Eis algumas das declarações que poderemos ouvir neste programa, estruturado e produzido por Kevin Howlett, um dos grandes especialistas dos Beatles.
John Lennon, sobre 'Twist and Shout' (faixa 4 do disco 1 de "1962–1966")
"O primeiro álbum foi gravado numa sessão longa de 12 horas. O 'Twist and Shout' foi a última música a ser gravada. A experiência quase que me matou, após 12 horas a cantar num estúdio. Sempre me senti embaraçado [com essa gravação], porque consigo cantar bem melhor. Agora não me irrita ouvir essa versão, é apenas um tipo fantástico a dar o seu melhor".
Tom Petty, sobre 'I Want to Hold Your Hand' (faixa 7 do disco 1 de "1962–1966")
"Ambos [Paul McCartney e John Lennon] tinham um incrível estilo vocal e ao mesmo tempo tão diferente um do outro que se conseguia identificar quem cantava o quê. Quando os dois cantavam em uníssono era como se fosse uma terceira pessoa, completamente diferente, que não soava nem ao Paul, nem ao John. E depois havia ainda o George que dava o seu toque naquela adorável miscelânia. Eles faziam uma série de vocalizações em trio e ele [George] tinha também um grande som".
Dave Grohl, antes de 'Yesterday' (faixa 19 do disco 1 de "1962-1966")
“Os primeiros álbuns que a minha família comprou dos Beatles eram o Red [1962–1966] e o Blue [1967–1970]. Foram esses dois discos que me fizeram apaixonar pela música. Foi a primeira vez que me senti entusiasmado com uma banda. Mesmo com aquela idade, eu já conseguia perceber que havia muito mais dívida para com os Beatles do que com qualquer outro músico que passava na rádio ou na televisão. Eu sentava-me e tentava tocar aqueles dois álbuns através do meu livro de pautas. Foi assim que aprendi a tocar guitarra. Esse foi o batismo da minha forma de compreender a composição, os arranjos ou qualquer outra forma de escrever uma canção. As raízes estão no livro desses dois álbuns, porque foi através dele que aprendi a tocar”.
Brian Wilson, sobre 'Norwegian Wood' (faixa 6 do disco 2 de "1962–1966")
"Fiquei tão impressionado com aquele som da sitar que abanou com a minha mente. ‘Marilyn [a namorada], Arnie [amiga próxima], que som é este? Volta a pô-lo a tocar’. Quando acompanhávamos o que eles estavam a mostrar, aquilo era como um pontapé no rabo. Queremos também fazer algo de bom. Fiquei tão maravilhado".
George Martin, sobre 'Strawberry Fields Forever' (faixa 1 do disco 1 de "1967–1970")
"Eles estavam cada vez mais interessados em sons invulgares. Eles estavam a experimentar novos instrumentos. Estavam sempre a vir ter comigo para me perguntarem: ‘que ideias tens para isto?’. A criatividade deles não estava em declínio. Pelo contrário, estavam a tornar-se cada vez mais produtivos e o trabalho que me passavam estava cada vez mais interessante. Estavam sempre a descobrir novas fronteiras. E o seu sucesso deu-lhes confiança arriscar sons que nunca se atreveriam antes".
Rick Rubin, antes de 'Lucy in the Sky With Diamonds' (faixa 5 do disco 1 de "1967–1970")
"Há músicos que têm enorme jeito para gravarem, mas não conseguem criar o melhor conteúdo. Há músicos que têm um conteúdo fantástico, mas não conseguem as melhores gravações. Os Beatles faziam esse pleno mágico".
Paul McCartney, sobre 'Hey Jude' (faixa 14 do disco 1 de "1967–1970")
Na escrita da canção, "quando cheguei ao verso 'The movement you need is on your shoulder' ['o movimento de que precisas está sobre os teus ombros'], disse logo [ao John Lennon] 'vou corrigir, não te preocupes'. E ele disse-me: 'o quê? Não tires, essa é a melhor frase da canção'. Essa era uma das grandes qualidades do John. Eu teria largado esse verso, porque não fazia grande sentido para mim. Mas o seu instinto do absurdo e do surrealismo fez dizê-lo: 'eu sei o que significa [essa frase]'. E eu acabei por mantê-la".
George Harrison, sobre 'Here Comes the Sun' (faixa 12 do disco 2 de "1967–1970")
"O Here Comes the Sun surge num periodo sobrecarregado de reuniões, com bancos e banqueiros e advogados, e todo o tipo de tralha com contratos e mais contratos. Foi uma altura complicada porque não é algo que tenhamos gozo. Houve um dia em que eu resolvi não aparecer no escritório, como se estivesse a abandonar a escola. Fui para a casa de um amigo no campo. Surgiu então um dia lindo de sol que me libertou de toda aquela tensão acumulada e peguei numa guitarra pela primeira vez em várias semanas, depois de ter estado tão atarefado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi esta canção. Conclui-a mais tarde, quando estava de férias na Sardenha [uma das maiores ilhas italianas]".
Ringo Starr, sobre 'Now and Then' (faixa 22 do disco 2 de "1967–1970")
“Ainda hoje há um enorme interesse nesses quatro rapazes”.
