Kamala ou Trump? O olhar da comunidade portuguesa nos EUA sobre as eleições
Uma viagem entre Nova Iorque e a Califórnia "à boleia" de cinco portugueses.
Reta final para as eleições presidenciais nos EUA numa luta renhida entre Donald Trump (republicano) e Kamala Harris (democrata), que vão a votos no dia 5 de novembro.
E porque há uma grande comunidade portuguesa do outro lado do Atlântico, vamos dar voz a cinco portugueses que residem no território norte-americano.
A viagem começa em Mineola, no estado de Nova Iorque, onde Donald Trump tem uma ligeira vantagem junto da comunidade portuguesa.
"O que preocupa aqui a comunidade portuguesa é a inflação, econo mia, insegurança e impostos. Por esses motivos (...) a comunidade tem a tendência para apostar no candidato da Direita, neste caso Donald Trump", diz Paulo Pereira, mayor (autarca) de Mineola.
O português, que emigrou para os EUA há quase 50 anos com a família, diz que em Mineola há a percepção de que os últimos quatro anos de Joe Biden foram piores do que a governação anterior de Donald Trump.
Quanto às guerras em curso, sobretudo na Ucrânia e no Médio Oriente, Paulo Pereira considera que não vão ter uma grande influência na orientação do voto: "as pessoas não estão muitos informadas sobre esses assuntos e também são guerras que estão muito longe".
Seja como for, o autarca português, que é também professor de História, diz que é difícil arriscar um vencedor das eleições nos EUA, até porque "tivemos duas campanhas" com a mudança do candidato democrata a meio do jogo.
De Nova Iorque seguimos para o estado do Indiana, onde a comunidade portuguesa é pouco expressiva.
Nuno Moniz reside na cidade de South Bend, no Norte do Indiana, onde é professor na Universidade de Notre Dame.
Este português, natural dos Açores, diz que o estado do Indiana é mais conservador e inclinado para o lado republicano. A exceção é mesmo a cidade de South Bend, que é mais progressista e virada para os democratas.
Ao contrário de outros estados, Nuno Moniz não nota no Indiana grandes clivagens nas posições políticas ou, pelo menos, não são manifestadas de "forma bruta".
Quanto ao futuro, Nuno Moniz não esconde os receios caso Donald Trump seja eleito Presidente: "por aquilo que é escrito e dito pela sua campanha é precocupante para nós" imigrantes.
Mas seja com kamala Harris ou Donald trump, este português tenciona manter-se nos EUA para onde emigrou há dois anos, porque (entre outras razões) gosta da calma do Indiana.
Nesta viagem pela comunidade portuguesa seguimos agora para o estado da Florida.
Ana Paula Almeida reside em Palm Coast, cidade que acolhe milhares de portugueses. Diz que a comunidade está dividida entre Donald Trump e Kamala Harris, mas o candidato republicano reúne maior preferência.
"As pessoas estão muito preocupadas com o que se tem passado nos últimos quatro anos. A nossa inflação tem sido muito alta e economicamente estamos em crise. Temos visto muito dinheiro a sair do país", sublinha.
Ana Paula Almeida considera que os últimos quatro anos nos EUA foram piores do que a anterior governação de Donald Trump: "a vida nos EUA estava mais estável e não tinhamos guerras":
Natural de Gouveia, Ana Paula Almeida emigrou para os EUA em 1967 e reside na Florida desde 2005, onde tem uma agência imobiliária.
A Califórnia é outro estado norte-americano com uma grande comunidade portuguesa (serão cerca de 360 mil lusodescendentes).
Elmano Costa reside em Turlock, no centro da Califórnia, para onde emigrou há quase 60 anos. Natural dos Açores, este português vê uma "América dividida quase a meio" entre Donald Trump e Kamala Harris "e a comunidade portuguesa está dividida igualmente" .
Perante a grande divisão no país, as famílias evitam falar de politica, porque é a "maneira mais fácil de começar um desacordo".
Elmano Costa considera que há muita desinformação nesta campanha eleitoral e os meios de comunicação social nos EUA não ajudam no esclarecimento dos cidadãos. Por isso, está "um pouco pessimista" em relação ao futuro dos EUA e até admite passar mais tempo nos Açores.
Terminamos esta viagem no estado do Texas, onde a comunidade portuguesa não é tão grande, mas tem vindo a crescer nos últimos anos.
Paulo Ferreira é professor na Universidade do Texas em Austin desde 2001. Diz que tem notado "uma polarização exacerbada" nos últimos anos, incluindo dentro das famílias.
"Extremaram-se as posições e têm criado divisões familiares (...). Chega a não haver forma de diálogo", sublinha.
Para Paulo Ferreira não há dúvidas, kamala Harris não é uma escolha excecional, mas é a mais democrática. Se vencer Donald Trump será um "sabor amargo".
Numa campanha com muita desinformação à mistura, Paulo Ferreira diz que as redes sociais contribuem para a polarização, com Donald Trump a aproveitar os "algoritmos".
