Concentração dos media continua a ser principal ameaça ao pluralismo na UE

Hungria (75%) continua a ser o país com pior desempenho global, seguida de Malta (71%) e Chipre (68%), ambos agora classificados na categoria de risco elevado.

A concentração da propriedade dos media e o crescente poder das plataformas digitais continuam a representar a principal ameaça ao pluralismo e à liberdade dos media na União Europeia (UE), concluiu o relatório anual Media Pluralism Monitor 2026.

O relatório do Centre for Media Pluralism and Media Freedom (CMPF) alertou para a existência de fragilidades estruturais comuns aos Estados-membros, sobretudo na pluralidade de mercado, área que continua a registar os piores resultados em toda a UE.

Segundo o estudo, a Hungria (75%) continua a ser o país com pior desempenho global, seguida de Malta (71%) e Chipre (68%), ambos agora classificados na categoria de risco elevado.

No extremo oposto, apenas a Suécia (26%) e a Alemanha (30%) figuram na categoria de baixo risco.

O índice médio de risco para os 27 Estados-membros manteve-se nos 49%, valor idêntico ao do ano anterior, refletindo uma estabilidade aparente que, segundo os autores, esconde problemas persistentes relacionados com a concentração económica do setor e a crescente dependência das grandes plataformas digitais.

O relatório sublinhou que todos os Estados-membros apresentaram níveis elevados ou muito elevados de risco nos indicadores relativos à concentração dos operadores de media e dos mercados digitais, resultado da concentração da propriedade, do domínio das grandes plataformas na distribuição de conteúdos e da crescente influência de modelos de Inteligência Artificial (IA) generativa.

Os investigadores alertaram ainda que mais de metade dos países da UE continuam sem mecanismos específicos para avaliar o impacto das operações de concentração no pluralismo dos media e na independência editorial, enquanto a publicidade digital permaneceu altamente concentrada, agravando a fragilidade económica das empresas jornalísticas.

A sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social continuou igualmente a suscitar preocupações, com o número de jornalistas empregados a diminuir, condições de trabalho precárias e modelos de negócio vulneráveis à transformação digital, apesar das tentativas de inovação por parte das empresas do setor.

O estudo identificou também uma deterioração das condições de exercício da profissão jornalística, apontando o aumento de campanhas de difamação e ataques verbais por responsáveis políticos, ameaças à segurança digital, incluindo vigilância ilegal e utilização de 'deepfakes'.

Na área da independência política, o relatório alertou para o aumento do controlo político direto e indireto sobre órgãos de comunicação social em vários Estados-membros, favorecido por mecanismos insuficientes de proteção e por regras pouco robustas sobre independência editorial e nomeação de diretores.

Também a publicidade política continuou a levantar preocupações, apesar da nova regulamentação europeia.

Já na inclusão social, embora se registem progressos na acessibilidade dos media para pessoas com deficiência, os autores consideraram que persistem problemas estruturais na representação das mulheres, na sustentabilidade dos meios locais e regionais e no combate ao discurso de ódio.

O Media Pluralism Monitor é elaborado anualmente pelo CMPF e avalia os riscos para o pluralismo e a liberdade dos media nos 27 Estados-membros da União Europeia através de quatro áreas de análise: proteção fundamental, pluralidade de mercado, independência política e inclusão social.