Consumidores podem estar a ser enganados pela inteligência artificial, alerta a Deco
Associação encontrou falhas nos assistentes virtuais utilizados por empresas, nomeadamente do retalho.
A Deco alerta que os consumidores correm o perigo de serem enganados pela inteligência artificial (IA), quando a ferramenta é usada pelas empresas no atendimento ao cliente.
A associação de defesa do consumidor analisou quatro assistentes virtuais e concluiu que há falhas que podem comprometer a qualidade de resposta.
“As respostas muitas vezes, apesar de procurarem sem completas, não indicavam as fontes e não eram totalmente verdadeiras. Chegavam a omitir alguns direitos que o consumidor tem, por exemplo, nas garantias dos bens refeririam que os imóveis têm uma garantia de cinco anos para defeitos estruturais quando já têm dez anos. No caso do Deepseek nem atualizou a informação para a atual legislação”, afirma Paulo Fonseca, coordenador jurídico da Deco.
Num olhar sobre o caminho que Portugal tem percorrido na adaptação à inteligência artificial, Paulo Fonseca diz que é preciso ainda “adequar o regulamento de IA, em algumas partes, ao seu ordenamento jurídico nacional”, bem como “identificar as entidades que vão fiscalizar estes sistemas”.
O coordenador jurídico da Deco afirma que é preciso uma cooperação entre os criadores de IA, as entidades que são responsáveis pela implementação dos sistemas e os utilizadores que os aplicam, para “prestar uma informação adequada aos consumidores”.
Paulo Fonseca diz que é preciso voltar a humanizar o contacto com o consumidor: “Não podemos entrar numa lógica exclusiva de que a tecnologia vai resolver todos os nossos problemas. Há desde a ética à governança, aspetos que temos de olhar para o mercado tradicional e aquilo que sentimos dos consumidores é que estamos a assistir a um cansaço dos consumidores ao contactarem exclusivamente com máquinas. É preciso voltarmos a introduzir um fator humano no relacionamento com o consumidor.”
