Cool Jazz: classe de músicos nacionais em preparação
Entrevistas a Tiago Bettencourt, Filipe Karlsson, Bruno Pernadas e João Só.
O único músico português que é cabeça-de-cartaz da edição deste ano do CoolJazz é Tiago Bettencourt, que atua a 27 de julho - com primeira parte de Nena. A honra deve-se aos 20 anos da carreira a solo do ex-Toranja, número redondo que merece a edição de um disco ao vivo em breve. “Normalmente escolho os alinhamentos ao jantar. Este vou escolher um bocadinho antes, vamos preparar qualquer coisa de especial”, admite o músico. O guitarrista e vocalista Tiago Bettencourt vai contar com a sua banda habitual: o guitarrista Pedro Branco, o baixista (e contrabaixista) João Hasselberg, o teclista João Bernardo e o baterista João Lencastre. Enquanto espectador, Tiago Bettencourt tem nas suas melhores memórias do CoolJazz o concerto do ano passado do neosambista Jorge Ben Jor e o espetáculo "do outro mundo" de David Byrne em 2018 - podem ler neste link a nossa reportagem dessa atuação.
Cabe ao excêntrico e humorado Filipe Karlsson a incumbência da primeira parte ao concerto de Lionel Richie, a 8 de julho. O músico nacional de ascendência sueca planeia “uma cena enérgica, a puxar aos anos 80, a fazer uma boa cama para o Lionel Richie”. Karlsson vai abrir para um ícone que andava a ouvir na sua infância: "os meus pais punham a tocar aos altos berros no carro um CD que tinham do Greatest Hits". Desse universo afetivo e familiar de Filipe Karlsson sobrepôs-se como um dos seus prediletos o clássico 'All Night Long'.
Bruno Pernadas faz parte da última leva de confirmações para o CoolJazz. O músico está agendado para a primeira parte de Ben Harper a 26 de julho. Em 40 minutos, Pernadas vai tentar “uma mistura entre os temas mais recentes, do último disco [Private Reasons, de 2021], e os do anterior disco, que se chama Crocodiles [Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them, de 2016]. E vou tentar ir ao que o público normalmente mais gosta de ouvir, que não é necessariamente aquilo que eu mais gostava de tocar. Vou ter esse cuidado de ir ao encontro do que o público prefere ouvir nos concertos”. A acompanhar as suas diabruras no no man’s land entre jazz, pop e rock, vão estar os suspeitos do costume: a vocalista e teclista Margarida Campelo, o vocalista e guitarrista Afonso Cabral (mais reconhecido como líder dos You Can't Win, Charlie Brown), o baixista João Lucas, o baterista João Correia, o saxofonista João Capinha e o flautista e trompetista Diogo Duque. A música de Ben Harper não é totalmente indiferente a Bruno Pernadas. “Lembro-me quando estudava no liceu, o Ben Harper era um músico muito falado. Tenho um álbum dele de que já não me lembro o nome [Fight for Your Mind, de 1995], que sei que tem o Excuse Me Mr. Era uma música muito ouvida no liceu, por causa do conteúdo da letra e da declaração política, que estava implícita na letra".
Na última noite da 18ª edição do CoolJazz, a 29 de julho, estará João Só, a escaldar o palco do Hipódromo Manuel Possolo para o nome das letras gordas, Norah Jones. "Acho que vou fazer um apanhado dos últimos 15 anos de canções não para gente tão sentada assim. Vai ter aquele roquezinho não tão barulhento, como se fosse para um concerto ao ar livre ou para um festival. Vamos ter a surpresa anunciada da Mónica Teutónio, que vai cantar comigo e que espero que vá de encontro ao que este público goste de ouvir”. João Só não é propriamente um recém-convertido à música de Norah Jones, essa devoção já tem uns aninhos. "Tenho os discos todos. Se calhar o que menos gosto é do primeiro [Come Away with Me, de 2002]. Quando ela me agarrou mesmo foi quando começou a fazer coisas diferentes, no Little Broken Hearts [de 2012], um disco feito com o Danger Mouse onde eu fui beber muito para o meu terceiro álbum [Coração No Chão, de 2013]. Andei ali para trás e para a frente e estou completamente colado ao podcast dela [Norah Jones Is Playing Along] que é espetacular”. No lugar de espectador no Hipódromo Manuel Possolo, João Só lembra-se bem da noite de 25 de julho de 2019. “Vim cá ver os Quatro e Meia a fazer a primeira parte de Tom Jones. Sempre fui fã de Tom Jones e nunca o tinha visto. Lembro-me de ele entrar em palco, parecia um velhinho. Depois, quando ele sobe, parece que a energia foi renovada automaticamente. Foi dos concertos mais especiais que vi, com uma energia e um power. Ele a cantar nas tonalidades originais é um fora-de-série, um intérprete com um sentido de humor mesmo ao meu gosto. Foi um espetáculo que me marcou muito".
Entrevistas realizadas no anfiteatro do Parque Marechal Carmona, em Cascais, após a conferência de imprensa do CoolJazz, realizada nesta quinta-feira.
