Crimes juvenis no espaço digital aumentam 160%
GNR alerta para aumento da criminalidade juvenil.
A criminalidade juvenil subiu 11,6% no primeiro semestre deste ano, em termos homólogos, embora com um recuo de 44% dos delitos violentos, indicou este domingo a GNR, que alerta para o aumento dos crimes no espaço digital.
Nos primeiros seis meses de 2026, o número total de participações associadas a jovens até aos 16 anos subiu de 714 para 797, de acordo com um comunicado daquela força de segurança.
Apesar desta subida, a criminalidade violenta e grave recuou 44%, impulsionada sobretudo pela redução para metade dos roubos na via pública e de 75% das ofensas graves à integridade física.
A GNR assinala ainda uma transferência crescente dos conflitos entre jovens para o meio digital.
"Destaca-se o aumento de 160% nas ocorrências de devassa por meio da internet, redes sociais e outros canais de difusão (de cinco para 13 casos), denunciando a crescente projeção do 'ciberbullying'", lê-se no comunicado da GNR.
Entre os crimes mais frequentes continuam a figurar as ofensas à integridade física simples, com 212 participações, embora em queda de 19,7%, e as ameaças e coação, com 76 casos, menos 8,4% do que no período homólogo.
A análise revela ainda aumentos nas ocorrências de condução sem habilitação legal, que subiram 50%, no furto em estabelecimentos comerciais, que aumentou 26,1%, e no tráfico de estupefacientes, que cresceu 42,9%.
Ainda de acordo com a GNR, as ocorrências concentram-se sobretudo nos dias úteis e no período entre as 13:00 e as 18:00, "coincidindo com as saídas das aulas, deslocações de regresso e períodos de convívio junto aos perímetros escolares".
Os distritos com mais ocorrências registadas foram Setúbal, com 142 casos, Faro, com 98, Lisboa, com 96, e Porto, com 79.
Perante este cenário, a GNR afirmou ter reforçado as ações de prevenção e proximidade no âmbito do programa Escola Segura, aumentando a vigilância nas imediações dos estabelecimentos de ensino e promovendo iniciativas de sensibilização para a segurança digital, combate ao 'ciberbullying' e aos consumos aditivos.
