Crise energética pode custar 440 mil empregos na União Europeia

Relatório divulgado hoje em Bruxelas aponta para transportes, agricultura e construção como os setores mais afetados.

Resumo IA

• A Comissão Europeia alerta que o conflito no Médio Oriente pode travar a criação de 440 mil postos de trabalho na UE em 2026.

• O crescimento do emprego deverá ser de 0,3%, abaixo dos 0,5% previstos antes do conflito, com setores como transportes e construção mais afetados.

• O relatório prevê que os salários reais cresçam 0,4% em 2026, abaixo das previsões anteriores.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

O choque energético provocado pelo conflito no Médio Oriente poderá travar a criação de 440 mil postos de trabalho na União Europeia em 2026, sobretudo nos transportes, agricultura e construção, indica a Comissão Europeia num relatório hoje publicado.

“Em 2026, o crescimento do emprego na UE [União Europeia] deverá situar-se em 0,3%, face aos 0,5% previstos antes do conflito, o que corresponde à criação de cerca de 440 mil postos de trabalho a menos”, alerta o executivo comunitário.

Num relatório sobre perspetivas europeias em matéria de emprego e assuntos sociais, a Comissão Europeia aponta que, num cenário mais desfavorável da guerra do Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas, “o crescimento do emprego permaneceria próximo de zero em 2026, o que significaria a criação de menos cerca de 900 mil postos de trabalho”.

De acordo com Bruxelas, a indústria transformadora, os transportes, a construção e o comércio deverão representar, em conjunto, 241 mil dos cerca de 440 mil postos de trabalho que deixarão de ser criados em 2026.

Estes são os setores mais afetados devido à sua intensidade energética, sendo que, no caso da agricultura, está também em causa o aumento dos preços dos fertilizantes.

Num cenário mais desfavorável, “este número aumentaria para 494 mil, de um total de cerca de 900 mil postos de trabalho que deixariam de ser criados”, acrescenta.

“O conflito no Médio Oriente provocou um choque energético significativo na UE. As perturbações nas infraestruturas mundiais de petróleo e gás fizeram aumentar os preços da energia e a incerteza nos mercados, levando as empresas a enfrentar custos de produção mais elevados”, aponta Bruxelas no relatório hoje divulgado.

Perante o aumento dos custos operacionais, “prevê-se que as empresas contratem menos trabalhadores e, em alguns casos, reduzam mesmo os seus efetivos”, refere a instituição, falando numa “situação de enfraquecimento já existente nos mercados de trabalho”.

De igual modo, está previsto “um abrandamento significativo do crescimento dos salários reais, embora estes continuem a aumentar”, de acordo com o documento.

Os salários reais na UE deverão crescer 0,4% em 2026, abaixo dos 1,2% previstos antes do conflito no Médio Oriente, o que se deve sobretudo ao facto de os salários não acompanharem imediatamente a subida dos preços.

Em 2027, o crescimento deverá ser de 1,1%.

Num cenário mais negativo, os salários reais deverão aumentar apenas 0,2% em 2026 e praticamente estagnar em 2027.

Ainda assim, não se prevê uma queda dos salários reais, ao contrário do que aconteceu em 2022, aquando da crise energética após a invasão russa da Ucrânia.

No relatório, Portugal é referido como o país onde o salário mínimo nacional representa uma proporção mais elevada do salário mediano bruto, segundo dados de 2025 e que excluem as microempresas.

No caso português, a Comissão Europeia prevê um crescimento da produtividade do trabalho de 3,3% em 2026, o valor mais elevado entre os países destacados nesta análise (a seguir à Lituânia com 3,1% e à Bulgária com 2,2%).

O documento destaca, ainda, a evolução dos salários reais em Portugal, que deverão estar 18,1% acima do nível de 2019, uma das maiores subidas registadas na UE no período analisado.

Neste relatório, a Comissão Europeia analisa a qualidade do emprego através das remunerações, segurança no emprego e tempo de trabalho, defendendo que melhores condições laborais podem contribuir para a produtividade e a competitividade da economia europeia.