Cuba já tem sucessor a Raúl Castro

Miguel Díaz-Canel deverá ser confirmado esta quinta-feira como o primeiro presidente após décadas de liderança dos irmãos Castro.

O Parlamento cubano propôs formalmente o nome de Miguel Díaz-Canel como candidato único à sucessão de Raúl Castro como presidente do país.

Será o primeiro líder cubano a nascer após a revolução liderada pelos irmãos Castro em 1959.

O nome de Díaz-Canel terá que ser aprovado pela Assembleia Nacional esta quinta-feira. 

Era até agora vice-presidente do país e o braço direito de Raúl Castro, que sai da presidência após ter atingido o limite auto-imposto de dois mandatos de cinco anos.

Miguel Díaz-Canel nasceu um ano depois de Fidel Castro ter assumido o partido. 

É um engenheiro, de 58 anos, e com uma longa carreira política, incluindo mais de 20 anos como dirigente do Partido Comunista Cubano.

A ser aprovado como presidente cubano, Miguel Díaz-Canel "vai prosseguir a política económica que Raúl Castro tem implementado nos últimos anos (...) os chineses estão muito atentos ao que se está a passar em Cuba e estão dispostos a ajudar e Cuba precisa de ajuda", considera o analista política, José Paulo Fafe.

 

 

O Partido Comunista preferia um militar ou outro elemento da família Castro, mas de acordo com José Paulo Fafe, que já viveu em Havana, esta nomeação não vai ser sabotada, uma vez que "Raúl Castro continua ativo e continua à frente no partido (...) apesar de tudo, muito poder continua concentrado em Raúl Castro".

 

 

Apesar desta mudança na liderança do país, o analista político acredita que "tudo vai ficar na mesma", mas enumera, à nossa redação, as prioridades que Miguel Díaz-Canel deverá ter em conta, como "a modernização do estado, criar a moeda única (...) e uma reforma a nível das pequenas e médias empresas, alargando a possibilidade dos cubanos de serem proprietários e abrirem mais empresas privadas do que existe hoje em dia".

 

 

Para José Paulo Fafe, que há trinta anos visita Cuba, diz que o país "já mudou há muito tempo, até por uma questão de mentalidade (...) as novas gerações nasceram com a revolução, viveram na revolução e têm uma visão muito própria. A pureza dos ideais revolucionários há muito que já acabou".

Raúl Castro, de 86 anos, abandona o poder, mas os analistas esperam que seja uma forte influência na política do país.