Cuidado com o eclipse para não ter avarias nas lentes ou na vista
O astrónomo Pedro Machado apela ao uso exclusivo de óculos certificados e alerta também para os riscos de utilizar câmaras desprotegidas.
Com um eclipse solar total prestes a atravessar os céus portugueses, há que ter cuidade: observar o fenómeno sem proteção adequada pode causar danos permanentes na visão. O astrónomo Pedro Machado apela ao uso exclusivo de óculos certificados e alerta também para os riscos de utilizar telemóveis, câmaras fotográficas e telescópios sem os filtros apropriados.
Cuidado com a vista
Apesar da expectativa em torno do fenómeno, Pedro Machado insiste que a segurança deve estar acima de tudo.
“O mais importante é proteger os nossos olhos”, alerta.
O astrónomo alerta que a retina não possui recetores de dor, o que significa que uma pessoa pode sofrer lesões graves sem sentir qualquer desconforto imediato.
Por esse motivo, a observação direta do Sol só deve ser feita com óculos certificados para observação solar.
“É imprescindível usar óculos com certificação adequada. Estes filtros deixam passar apenas uma fração mínima da radiação solar, protegendo convenientemente os olhos.”
“Não é necessário estar constantemente a olhar para o Sol"
O especialista sublinha, contudo, que uma família não precisa necessariamente de adquirir vários pares: "Pode observar durante alguns segundos, desviar o olhar e depois voltar a observar mais tarde. Assim, todos conseguem desfrutar do fenómeno.” Como o eclipse decorrerá ao longo de cerca de duas horas, entre as 18h30 e as 20h30, um ou dois pares podem ser partilhados entre várias pessoas.
Paea as crianças é preciso de vigilância redobrada. Pedro Machado deixa um apelo especial aos pais e educadores: “As crianças são naturalmente curiosas, e ainda bem que o são. Mas é preciso explicar-lhes antecipadamente que só podem olhar para o Sol usando proteção adequada.”
Atenção às câmaras fotográficas
A ideia de que fotografar o eclipse com um telemóvel é inofensivo está longe da realidade. O astronomo Pedro Machado explica que “se apontarmos diretamente a câmara de um telemóvel para o Sol durante algum tempo, podemos danificar os componentes óticos do equipamento”.
Por isso, recomenda o uso de filtros apropriados também para câmaras fotográficas, telescópios e telemóveis: “Os telemóveis são caros. O eclipse deve deixar boas memórias, não equipamentos estragados.”
Como alternativa à observação direta, o astronomo sugere a utilização de métodos de projeção, nomeadamente a chamada “câmara de orifício” ou pin hole camera.
Com um simples pedaço de cartão perfurado, é possível projetar a imagem do Sol numa superfície e acompanhar a evolução do eclipse sem qualquer risco para a visão: “Muitos astrónomos amadores vão estar espalhados pelo país a ajudar a população a observar o eclipse em segurança e a utilizar este tipo de técnicas de projeção”, adianta.
