Da construção civil aos lares. Que medidas estão a ser tomadas perante a onda de calor?

Portugal Continental está a ser afetado por temperaturas muito elevadas.

Empresas de construção civil, lares e municípios estão a preparar-se perante a onda de calor que se deve prolongar por vários dias em Portugal Continental.

As temperaturas máximas podem atingir os 44ºC e as mínimas devem aproximar-se dos 30ºC em algumas regiões, incluindo Lisboa.

Por isso, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu aviso vermelho para a maior parte do território devido à "persistência de valores extremamente elevados, quer da máxima, quer da mínima."

Empresas de construção civil

O setor da construção civil é um dos mais expostos ao calor, mas muitas empresas tentam adaptar os horários e alertar os trabalhadores para a necessidade de hidratação.

"As empresas têm preocupação e têm um conjunto de medidas que garantam, por exemplo, faziamento dos trabalhos em horas menos expostas e a preocupação constante de que os colaboradores tenham sensibilidade para estarem permanentemente hidratados", diz o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Ricardo Gomes.

O responsável dá como exemplo a "construção com betão, que cria um problema de hidratação" e "nas alturas do verão, em que as temperaturas são mais elevadas, faz com que as empresas escalonem essas atividades para alturas do dia em que as temperaturas sejam menos elevadas."

Ainda assim, Ricardo Gomes admite que nem todas as empresas tenham esta cultura de prevenção, mas sublinha que a Autoridade para as Condições do Trabalho está atenta e "tem uma campanha de sensibilização em curso (...) que acentuou agora e que é bem-vinda, porque, como é óbvio, o alerta e a sensibilização nunca é demais."

Municípios

Os municipios estão também a preparar-se para a onda de calor, com espaços climatizados, adaptação de horários dos trabalhadores e condicionamentos de atividades ao ar livre.

"Estamos a acionar os planos de contingência para ajudar a população nestes dias, com várias medidas, várias recomendações. Desde logo, a necessidade do reforço da hidratação, de não estarem expostas ao calor nas horas de maior intensidade, nomeadamente das 11h até às 17h e outras medidas mais restritivas, nomeadamente no acesso a parques infantis e a zonas desportivas, que nós vamos condicionar esse acesso nestas horas de maior calor, também interditar churrasqueiras e grelhadores em parques de merendas", refere Pedro Pimpão, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugues (ANMP).

Haverá também locais mais climatizados "para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade ou que precisem desse apoio". Por isso, as autarquias estão a fazer um levantamento desses espaços, a localização e também aumentar a carga horária.

"Imaginemos espaços públicos, como, por exemplo, edifícios, como no meu caso, auditórios, teatro-Cine, ou centros de saúde ou escolas, que vão estar abertos durante um maior período de tempo, precisamente para serem esses pontos de abrigo para as pessoas em situações de necessidade. Portanto, isso vai acontecer em todos os municípios. Cada um vai identificar qual é o melhor espaço e depois adaptar", adianta o reponsável que lidera também a autarquia de Pombal.

Ao nível das unidades de saúde está também "a haver um reforço, uma preocupação acrescida para criarem condições para apoiar a população neste período".

As autarquias alertam ainda para "a proibição do uso de fogo em contexto florestal" e é recomendada a suspensão do fogo de artifício para "evitar ao máximo os riscos de incêndios florestais".

Depois da Kristin... Leiria enfrenta agora o calor extremo

Leiria será um dos distritos sob aviso vermelho do IPMA por causa do calor. A tempestade Kristin derrubou muitas árvores e, por isso, a região tem agora menos locais de sombra.

"Nós temos tentado de alguma forma compensar essa perda de zonas de sombra com a perda de árvores que tivemos. Só na zona mais urbana nós perdemos cerca de duas mil árvores de grande porte, que eram as referências em termos de sombreamento. E estamos a tentar, com estruturas artificiais aumentar as zonas de sombra e também com difusores para reduzir a temperatura em espaço público, e vamos fazer a instalação destas estruturas nas próximas semanas, naquilo que é também um repto que foi lançado de termos mais abrigos climáticos", explica Luís Lopes, vereador da Proteção Civil da Câmara de Leiria.

Entretanto, a autarquia está "a procurar espaços climatizados" para que as pessoas possam utilizar durante o dia. E até foi lançado um repto "à diocese para que as igrejas e os centros paroquiais possam estar também disponíveis durante o dia para que as pessoas possam permanecer, uma vez que são, habitualmente, espaços frescos e bem ventilados, e assim temos maior quantidade de infraestruturas disponíveis para que as pessoas possam utilizar."

A Câmara proibiu ainda o fogo de artificio, vai manter a vigilância apertada nos espaços florestais e os horários dos funcionários da autarquia serão adaptados de forma a evitar o período de calor mais intenso.

Lares

Os lares estão a tomar medidas para proteger os mais velhos do calor extremo, mas em muitos locais não há climatização.

"Há uns que têm menos condições, há outros que têm mais condições. Há uns que são mais pequenos, há outros que são de maior dimensão, o que tem impacto também nesta questão. Há uns que têm ar-condicionado, outros não. A situação varia imenso de lar para lar", diz João Almeida, da Associação de Apoio Domiciliário, de Lares e Casas de Repouso de Idosos.

O responsável garante que há uma constante articulação com as autoridades de saúde e aponta as principais medidas: "evitar que os idosos apanhem calor em excesso, ou seja, vesti-los com roupas leves, não os expor ao sol, arejar a casa, dar-lhes muita água para não desidratarem."

Apesar do calor extremo, João Almeida pede que não se entre "em histeria, nem em alarme extremo", embora reconheça que "a situação é preocupante, é uma situação de risco, mas que se trata com as medidas aconselhadas e necessárias".