David Cronenberg no festival de cinema LEFFEST
Novos filmes de Pedro Almodóvar, Paul Schrader e Viggo Mortensen e retrospetivas de Michael Haneke e de Miguel Gomes no programa da 18ª edição.
O programa da 18ª edição do festival de cinema e de cultura LEFFEST foi apresentado hoje em conferência de imprensa, na Câmara Municipal de Lisboa, e vai ter como sessão de abertura o novo filme de Pedro Almodóvar, “The Room Next Door”, a 8 de novembro, e como sessão de encerramento a longa-metragem de Robert Zemeckis, “Here”, a 17 de novembro. “The Room Next Door” foi premiado com o Leão de Ouro do Festival de Veneza e é a primeira longa-metragem de Almodóvar falada em inglês, onde Tilda Swinton contracena com Julianne Moore
O produtor e diretor do festival, Paulo Branco, e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, estiveram presentes na conferência de imprensa. Paulo Branco faz vários destaques, um deles a presença em Lisboa de vários cineastas como o canadiano David Cronnenberg (na foto em cima), o dinamarquês Thomas Vinterberg, os norte-americanos Viggo Mortensen e Brady Corbet, o espanhol Jonás Trueba ou o iraniano Mohammad Rasoulof, cujos novos filmes serão exibidos no festival Leffest.
O LEFFEST vai dedicar atenção à questão da Palestina – e também do Líbano – através de um ciclo temático, que conta com as presenças de historiadores, escritores e ativistas da Palestina (e não só) e com uma exposição do artista plástico de Gaza, Khaled Jarada. Paulo Branco define o atual ataque militar de Israel à Palestina e ao Líbano como uma “situação absolutamente inaceitável”.
Ainda sobre a temática bélica, vai decorrer no Ginásio do Liceu Camões uma exposição de fotografias, intitulada “Guerra e Paz”, da autoria da recém-falecida Marie-Laure de Decker e de Nöel Quid, e um ciclo de filmes e de debates intitulado “Imagens de Guerra – A Guerra das Imagens”.
O Leffest vai associar-se ainda a duas grandes efemérides da literatura como os 100 anos da morte do escritor checo Franz Kafka (imortalizado por obras como “O Processo” e “A Metamorfose”) e os 500 anos do nascimento do poeta Luís Vaz de Camões (reconhecido pelo seu lirismo mas também pela obra épica de dez cantos “Os Lusíadas”), através das mais diversas formas, desde filmes e adaptações cinematográficas de obras suas, masterclass, sessões de leitura e composições musicais. Para Paulo Branco, Camões “é realmente o grande escritor, aquele que atravessou todas as épocas, todos os regimes. Ninguém soube ainda recuperar Camões no sentido do politicamente correto, o que é fantástico. E, além disso, a dimensão dele é absolutamente extraordinária. Portanto, a única coisa que fazemos é uma pequena homenagem, como cidadãos que somos, para chamar a atenção para que as pessoas voltem a ler Camões, porque realmente, se não lerem Camões, não vão saber o que é ser português”.
No festival, vai estar também presente o escritor moçambicano Mia Couto para reflexões sobre o colonialismo e vai ser lembrado o trabalho do independentista e ativista angolano Mário Pinto de Andrade através do documentário em estreia mundial “Mário”, de Billy Woodberry, e do concerto de Bonga em sua homenagem no Tivoli a 15 de novembro.
Serão passados em retrospetiva os filmes inéditos em sala do cineasta austríaco Michael Haneke (conhecido por filmes como “Funny Games” e “A Pianista”), e ainda retrospetivas da gaulesa Patricia Mazuy, do espanhol Jonás Trueba e do português Miguel Gomes – premiado este ano em Cannes, como Melhor Realizador, pelo seu último filme “Grand Tour”. É de referir que o filme “O Castelo” de Haneke (de 1997) é inspirado no romance póstumo de Franz Kafka, “O Castelo”, e encaixa na homenagem do festival ao escritor checo.
Para mais informações sobre esta edição do LEFFEST, podem consultar a página online do festival.
