Debate com primeiro-ministro adiado para sexta-feira
Na base da decisão do Parlamento está o agravamento da situação meteorológica nas regiões Norte e Centro de Portugal continental.
Os partidos com assento parlamentar aceitaram o pedido de adiamento do debate quinzenal com o primeiro-ministro.
Como alternativa, Aguiar-Branco marcou o debate para sexta-feira, dia 13, pelas 10h00.
Segundo fontes parlamentares, esta decisão foi tomada após o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, ter consultado o Governo e os diversos grupos parlamentares. E ninguém se opôs ao reagendamento do debate.
Nesses contactos, José Pedro Aguiar-Branco perguntou aos partidos com representação parlamentar e ao Governo que respondessem até às 12h00 desta quarta-feira, se concordavam com o reagendamento do debate quinzenal para sexta-feira.
O debate quinzenal com a presença de Luís Montenegro, que estava marcado para esta quarta-feira, a partir das 15h00, realiza-se agora na sexta-feira, pelas 10h00.
Na terça-feira à noite, a questão do adiamento do debate quinzenal começou a ser ponderada por alguns líderes parlamentares, sobretudo, depois da decisão da Câmara de Coimbra tomar a medida preventiva de retirar cerca de três mil pessoas face ao risco de as margens do Mondego colapsarem.
Na região de Coimbra, também vários concelhos do distrito, principalmente no baixo Mondego, estão a ser atingidos por cheias graves nos últimos dias.
No plano político, o debate quinzenal agora adiado para sexta-feira será o primeiro após a demissão de Maria Lúcia Amaral das funções de ministra da Administração Interna, pasta que, transitoriamente, será assumida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Entretanto, o presidente da Assembleia da República convocou com urgência, para hoje, às 17:00, uma reunião da conferência de líderes parlamentares para estabelecer em definitivo a data do debate quinzenal com o primeiro-ministro, que está adiado para sexta-feira. A Iniciativa Liberal tem contestado que o debate quinzenal com a presença de Luís Montenegro, que estava previsto para hoje, seja remarcado para essa data, considerando que, nessa altura, a situação ainda será grave em várias zonas do território continental nacional, sobretudo por causa das chuvas intensas e persistentes.
Segundo fontes parlamentares, a Iniciativa Liberal comunicou ao presidente da Assembleia da República que aceitava o adiamento do debate quinzenal previsto para hoje, acrescentando que propunha que fosse reagendado apenas para a próxima semana.
Esta posição não foi entendida como uma recusa tácita por parte da bancada liberal em relação ao agendamento do debate para sexta-feira.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

