Derrocada arrasta EN232 e centenas de árvores em Manteigas
"O cenário é assustador, com centenas de árvores de grande porte arrancadas pela raiz ou tombadas", revelou o presidente da autarquia.
Uma derrocada arrastou na terça-feira um troço da Estrada Nacional (EN) 232, que liga Manteigas às Penhas Douradas, numa zona que continua instável devido às chuvas das últimas semanas, revelou o presidente da Câmara de Manteigas.
Flávio Massano adiantou à agência Lusa que a estrada já tinha sido encerrada ao trânsito, preventivamente, entre o cruzamento para o Covão da Ponte e o lugar do Ribas, no final de fevereiro.
A situação registada na centenária Mata da Carvalheira está a mobilizar os serviços municipais e várias entidades, nomeadamente a Infraestruturas de Portugal (IP).
“O cenário é assustador, com centenas de árvores de grande porte arrancadas pela raiz ou tombadas devido ao deslizamento de terras, que também danificou caminhos florestais e afetou uma ribeira que atravessa a vila”, disse.
Flávio Massano acrescentou que a instabilidade do terreno “persiste devido à saturação de água no solo”, pelo que “não é possível, para já, prever um prazo para iniciar a reparação da estrada”.
“Como medida preventiva, foi efetuado o abate controlado de árvores para reduzir a carga sobre os taludes e minimizar riscos para a Estrada Florestal de São Sebastião, que liga a vila às Penhas Douradas e que permanece aberta, embora interdita a veículos pesados”, indicou.
O presidente da Câmara de Manteigas sublinhou que “este deslizamento de terras não tem paralelo nem neste, nem nos últimos dois séculos deste território”.
Na última Assembleia Municipal de Manteigas, realizada em 27 de fevereiro, Flávio Massano revelou que os serviços camarários tinham instalado instrumentos de medição no local, como fitas e ferros de referência, para acompanhar a evolução do movimento de terras.
“O que estamos a fazer neste momento é pouco mais do que monitorizar, porque não há condições para mais nada. As chuvas pararam há pouco tempo, mas os lençóis freáticos e as linhas de água ainda estão com muito caudal e só depois de estabilizar é que conseguimos ir para o terreno e perceber o que é necessário fazer”, admitiu.
O autarca aproveitou a sessão para revelar que, até 20 de fevereiro, tinha chovido no concelho “mais do dobro da média anual desde 1991”.
O município de Manteigas mantém a monitorização permanente da encosta e aguarda “condições técnicas e de segurança que permitam avançar para uma intervenção mais estrutural”.
A derrocada alterou a configuração natural da encosta, “numa área de elevada sensibilidade geomorfológica e valor patrimonial, particularmente vulnerável a fenómenos de instabilidade e erosão em cenários de precipitação extrema, dada a concentração de linhas de drenagem natural”, é referido numa publicação da autarquia nas redes sociais.
“Atendendo à complexidade geológica e hidrológica do local, é antecipada uma intervenção exigente e prolongada, mantendo-se o esforço coordenado para mitigar impactos na malha urbana e salvaguardar a segurança de pessoas e bens, apesar da distância da zona afetada à vila”, lê-se ainda na publicação.
A autarquia informou que, durante o deslizamento, o ramo de uma árvore caiu sobre uma linha de média tensão, o que poderá originar, a curto prazo, o corte de energia na vila de Manteigas, uma vez que foram afetados três Postos de Transformação.
“A E-Redes já se encontra no terreno a proceder à respetiva intervenção, mas alerta-se a população para a possibilidade de, nas próximas horas, poder ocorrer um corte temporário de energia elétrica em Manteigas, por um período que poderá atingir, no máximo, cerca de duas horas”.
