Despressurização a bordo. O que é e quais são os procedimentos?

Não acontece com muita frequência, mas esta semana obrigou um avião da easyJet, que tinha partido de Lisboa, a fazer uma aterragem prioritária em Madrid.

São pontuais os casos de despressurização nas cabines dos aviões, mas por vezes acontecem. Esta semana um avião que fazia a ligação entre Lisboa e Barcelona foi obrigado a fazer uma descida de emergência para Madrid devido a um problema de despressurização.

"Uma despressurização é a falta de oxigênio suficiente na cabine de passageiros, o que faz com que sejam despoletados os equipamentos alternativos para que os passageiros e tripulantes consigam ter oxigénio suficiente em altas altitudes (...) é quando caem as máscaras", explica Paulo Soares, especialista em aviação civil.

Paulo Soares - especialista em aviação civil

Descida de emergência

Perante a falta de oxigénio suficiente a bordo, a prioridade do piloto é "fazer uma descida de emergência a alta velocidade" para uma altitude de segurança "normalmente os catorze, doze mil pés", onde "o ar não é tão rarefeito", o que permite "a uma pessoa normal respirar sem auxílio de qualquer máquina ou instrumento." Ou seja, adianta o especialista, o avião desce para uma altitude em que pode "equilibrar a altitude de pressão da cabine com o exterior".

Em simultâneo, o piloto contacta "o controlador de serviço da área e declara emergência para que o controlador possa desviar todo o tráfego que esteja nas imediações, porque a prioridade é aquele avião." Depois, "pede-se imediatamente diversão ou até para aterrar no aeroporto mais próximo à aeronave."

O que deve fazer a tripulação de cabine?

"A tripulação de cabine assim que se apercebe de que vai haver ou está a acontecer uma descida claramente anormal deve preparar os passageiros para o pior. Que é desobstruir, sentar os passageiros, verificar se têm os cintos postos e tudo, porque ainda não sabem muito bem o que está a acontecer nos primeiros momentos."

Quando a situação está estabilizada, "há uma interação entre os pilotos e a cabine para que a informação possa ser a mesma e depois, a determinado momento, os passageiros são informados do que é que está a acontecer, até para também os tranquilizar" de que tudo está a ser gerido "com a normalidade do treino e da proficiência dos pilotos e dos tripulantes de cabine."

Máscaras de oxigénio

"As máscaras, em determinadas situações, elas caem automaticamente. Pode acontecer, não é nada frequente, é que a despressurização seja tão lenta, tão lenta, tão lenta, que o sistema automático não tenha a indicação para ativar. (...)  Mas as máscaras só caem a partir de um determinado parâmetro, que está perfeitamente configurado e assim elas caem. Normalmente, elas caem nas despressurizações explosivas, aquilo é quase automático. E muitas vezes até por precaução os pilotos acionam-nas para que nunca falte oxigénio, para que as pessoas possam respirar o mais normal possível", diz Paulo Soares.

Aeroporto prepara-se sempre para o pior cenário

"As equipas de emergência e todo o aeroporto preparam-se, no seu plano de contingência, para um acidente que venha a acontecer com aquele avião. Obviamente que é raro acontecer ou raríssimo acontecer, mas é melhor estar preparado. (...) Os bombeiros vão fazer os pré-posicionamentos, a estrutura policial faz a mesma coisa, o aeroporto prepara-se para o pior", refere o especialista

Na passada terça-feira, o aeroporto em Madrid ativou o plano de segurança para receber um avião da easyJet, que fez uma aterragem prioritária na sequência de um problema de despressurização. O aparelho, que fazia a ligação entre Lisboa e Barcelona, fez uma aterragem em segurança sem causar qualquer vítima.