Dez anos de Marcelo em Belém. O Presidente dos afetos que dissolveu três vezes o parlamento
Marcelo Rebelo de Sousa termina as funções de Presidente da República na próxima segunda-feira.
Dos incêndios de Pedrógão à pandemia e aos conflitos internacionais, os 10 anos da Presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foram marcados por várias crises e por três dissoluções da Assembleia da República.
A primeira dissolução aconteceu em 2021, depois do Orçamento do Estado do governo socialista de António Costa ter sido chumbado pelos parceiros de esquerda.
Os portugueses voltam às urnas em 2022 e dão maioria absoluta a António Costa, mas a legislatura volta a não chegar ao fim. O então primeiro-ministro é visado na operação influencer, apresenta a demissão em novembro de 2023 e Marcelo volta a convocar eleições antecipadas, "devolvendo assim a palavra ao povo, sem dramatizações nem temores".
Em março de 2024, o país vira à direita com Luís Montenegro a assumir a liderança do governo que durou menos de um ano devido ao caso Spinunviva. Com a moção de confiança rejeitada, o Presidente dissolve a Assembleia pela terceira e última vez em 2025.
Durante os dois mandatos, Marcelo Rebelo de Sousa usou ainda mais de 40 vetos políticos e recorreu oito vezes ao Tribunal Constitucional. Para o sucessor, António José Seguro, deixa dois importantes diplomas: a Lei da Nacionalidade e as alterações ao código de trabalho.
Presidente dos afetos e o caso das gémeas
Conhecido como o Presidente dos afetos e das selfies, Marcelo Rebelo de Sousa contornou várias vezes o protocolo, fazendo questão de andar pelas ruas e de estar próximo dos portugueses.
A nível pessoal, o caso das gémeas terá sido o mais difícil de gerir, depois do pedido do filho para o tratamento das crianças em Portugal, mas Marcelo negou sempre qualquer favorecimento.
O caso acabou por dar origem a uma comissão de inquérito com dezenas de horas de audições no Parlamento.
Relação com Costa e Montenegro
Nos dez anos de Presidência de República, Marcelo Rebelo de Sousa trabalhou com dois chefes de Governo. Os primeiros oito anos cooperou com o socialista António Costa, com quem era feliz e não sabia. Os últimos dois anos com o social-democrata Luís Montenegro "foram intensos", mas sabiam que eram "felizes".
O chefe de Estado garante que depois de sair de Belém na próxima segunda-feira, dia 9 de março, irá encerrar uma intervenção política de 60 anos.
