Dez heróis do desporto português deste ano
Canoagem, ciclismo ou o tiro foram desportos em destaque para as cores nacionais.
Num olhar retrospetivo a este ano e aos feitos internacionais do desporto nacional, selecionamos dez heróis... na verdade, tornam-se 13 (claro que houve mais). O ano foi um bom aviso para o que está para acontecer. Se fosse feita a transposição das nossas proezas mundiais de 2023 para Paris 2024, teríamos tido a melhor participação olímpica de sempre, com, pelos menos, três medalhas de ouro... e não só.
No rio, no mar ou na piscina; na pista e na estrada; no halfpipe, no piso elástico ou no campo de tiro, demos cartas.
Fernando Pimenta (canoagem)
O desportista minhoto parece um Kelly Slater da canoagem, perdurando no topo anos a fio com títulos e mais títulos. Neste ano, Fernando Pimenta conquistou três medalhas no Mundial, em Duisburg (na Alemanha): medalha de ouro em K1 000, medalha de prata em K1 5000 e medalha de bronze em K1 500. Insaciável, com braços e pulmão infinitos, o canoísta do Benfica conseguiu mais proezas internacionais em 2023, no Mundial de Maratonas de Vejen (Dinamarca), ao conquistar as medalhas de ouro em K1 short race e em K2 (com José Ramalho), em mais sensações gloriosas de déjà vu . Olhando para o seu palmarés recheadíssimo, só falta uma medalha a Fernando Pimenta: o ouro olímpico. Será em Paris, no próximo ano?
Yolanda Hopkins (surf)
Em fevereiro, a surfista algarvia selou o título da campeã europeia, ironicamente na costa africana, mais especificamente em Taghazout Bay, em Marrocos. Quinta classificada nas Olimpíadas de Tóquio em 2021, Yolanda Hopkins tem colocado o surf no plano mais alto em termos continentais, a par de Teresa Bonvalot, a campeã europeia do ano anterior. A nível mundial, potências como os Estados Unidos, o Havai, a Austrália ou o Brasil, que são viveiros de grandes surfistas, tornam infelizmente a vida mais difícil às nossas representantes no World Surf League.
Iuri Leitão (ciclismo)
É cada vez maior o fosso entre o brutal currículo internacional do ciclista minhoto (de 25 anos de idade) e o seu conhecimento pela maioria da população. É gritante a falta de reconhecimento das altas instâncias políticas face aos seus feitos. Só uma medalha olímpica poderá mudar esse cenário injusto. Em 2023, Iuri Leitão tornou-se campeão do mundo de pista em omnium, uma categoria olímpica... O que valida Iuri Leitão como um candidato a uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris.
João Ribeiro e Messia Baptista (canoagem)
Os excelentes resultados no Mundial de Canoagem de Duisburg que colocaram Portugal no 7º lugar do medalheiro geral não se deveram só ao super-canoísta Fernando Pimenta. Também a dupla João Ribeiro e Messia Baptista conquistou uma de medalha, e logo de ouro, na especialidade de K2 500, que está também sob o arco olímpico – o que nos dá mais uma esperança de uma possível medalha em Paris. Messias Baptista teve um ano excecional, se nos lembrarmos também de outra subida ao degrau mais alto do pódio, nos Jogos Europeus de Cracóvia, ao vencer a final de K1 200.
Maria Martins (ciclismo)
A atleta portuguesa ganhou um emocionante despique ibérico à espanhola Eukene Larrarte, na final do Europeu de Pista de Grenchen (na Suíça), na disciplina de scratch. Com este título de campeã europeia, Maria Martins está cada vez mais a confirmar no plano sénior os bons auspícios alcançados nas grandes competições das camadas jovens de há pouquíssimos anos. Com 24 anos de idade, Maria Martins é cada vez mais uma figura nacional forte do ciclismo de pista, a juntar-se a Iuri Leitão e aos irmãos gémeos Rui e Ivo Oliveira.
João Almeida (ciclismo)
Na estrada, o nosso maior ciclista é cada vez mais João Almeida, que obtém a sua melhor classificação de sempre numa das três maiores provas do circuito internacional, o Giro d’Italia, com o 3º lugar na geral e o Prémio de Juventude. Neste ano, o estoico ciclista das Caldas da Rainha não venceu nenhuma volta lá fora, mas as suas assíduas prestações coladas à posição mais alta aumentaram-lhe os créditos como atleta de primeira categoria.
Gustavo Ribeiro (skate)
Gustavo Ribeiro não pára de somar feitos significativos a nível planetário. O skater almadense foi vice-campeão mundial em skate street, em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, quase que revalidando o título mundial na mesma na categoria. Não há como negar: Gustavo Ribeiro é uma das nossas maiores esperanças de medalhas nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Inês Barros e João Paulo Azevedo (Tiro)
Com 142 tiros certeiros em 150, a dupla de Penafiel obteve a medalha de ouro em mistos com arma de caça, no Mundial de Baku (no Azerbaijão). A jovem Inês Barros foi mesmo uma das grandes heroínas nacionais de 2023, com pontaria afinada nos pratos para alcançar outro ouro, a nível individual, no Europeu de Armas de Caça, em Osijek (Croácia).
Diogo Ribeiro (natação)
Alinhado na marginal pista 1, Diogo Ribeiro fez história na natação portuguesa, com a medalha de prata nos 50 metros mariposa, no Mundial de Fukuoka. Com apenas 19 anos, o atleta coimbrão nada velozmente para se tornar o nosso maior nadador de sempre. Papa-medalhas nos júniores, o nadador do Benfica está integrar rapidamente o lote dos melhores do mundo no universo sénior, sobretudo na especialidade de mariposa, depois de no ano passado ter conquistado a medalha de bronze no Europeu de Roma.
Mónica Lima e Maria Marvão (ginástica acrobática)
A participação portuguesa no Europeu de Ginástica Acrobática em Varna (na Bulgária) valeu 14 medalhas. No setor sénior, uma das duas medalhas de ouro para Portugal foi conquistada pela dupla Mónica Lima e Maria Marvão no exercício dinâmico. Foi igualmente no exercício dinâmico que a bandeira portuguesa foi hasteada mais alta do que as outras, através da medalha de ouro da equipa masculina - formada por João Teles, Gonçalo Sampaio, Nuno Santos e Vicente Colaço. Com um nível tão alto que Portugal apresenta lá fora, sobra uma pergunta em forma de lamento dirigida ao COI (Comité Olímpico Internacional): para quando a ginástica acrobática como modalidade olímpica? O jeitão que nos daria.
Artigo de opinião.
