Dez modalidades que (ainda) não são olímpicas

A poucos dias dos Jogos Olímpicos de Inverno, fizemos um levantamento de desportos impactantes que estão fora do grande evento mundial.

Na sexta-feira, dia 4, iniciam-se mais umas Olimpíadas, os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim. Em quase 50 modalidades que integram hoje o programa olímpico ao mais alto nível (mais de 30 são de verão, 15 são de inverno), começa a torna-se difícil encontrar uma modalidade de grande expansão internacional que não esteja integrada na agenda do maior evento desportivo do mundo. 

Mas na verdade, selecionámos dez modalidades que ainda não são olímpicas (com um pouco esforço, é possível até encontrar mais), apesar do seu impacto inegável. Começamos por um desporto de inverno, neste levantamento. 

Bandy 
É uma espécie de futebol patinado no gelo. As grandes dimensões do campo são similares - os relvados de futebol são usados no inverno para se jogar banji, aproveitando o gelo e a maior segurança -, joga-se onze contra onze, a bola é redonda, as balizas são grandes e disputa-se muito em recintos ao ar livre. Atualmente, tem sido mais jogado em pavilhões, mas em tempos idos era sobretudo jogado em lagos gelados. No norte da Europa, é um desporto bastante conhecido. No sul da Europa, é completamente ignorado. Chegou a ser desporto de exibição nas Olimpíadas Inverno de 1952. É o segundo desporto coletivo de inverno com mais jogadores em todo o mundo.
Super-potências: Rússia (atual campeã do mundo masculina) e Suécia (atual campeã do mundo feminina).

 

Râguebi de 15
É provavelmente o desporto coletivo mais disputado em todo o mundo que escapa à esfera olímpica dos últimos 90 anos, apesar de vários esforços e movimentações inglórios para que regresse ao grande evento desportivo. Chegou a haver o reconhecimento do Comité Olímpico Internacional quanto aos princípios de lealdade e de desportivismo do desporto. O râguebi de 7 já está integrado no programa olímpico mas não o mais popular râguebi de 15 contra 15.
Super-potências: Nova Zelândia, Austrália e África do Sul (atual campeã do mundo masculina).
Outras potências: Inglaterra, França e País de Gales. 

 

Squash
É um dos desportos de raqueta mais populares em todo o mundo mas contrariamente ao badminton, ao ténis ou ao ténis de mesa, não teve ainda o aval para fazer parte das olimpíadas. Tem a peculiaridade de ser jogado contra quatro paredes, com os dois jogadores sem distância social, a pisarem no mesmo espaço. A rapidez com que a bola é trocada é outra característica especial do squash. Nos últimos anos, os atletas egípcios apropriaram-se dos pódios dos mundiais, tanto na competição masculina como na competição feminina.
Super-potência: Egito
Outros países fortes: Austrália, Inglaterra
 

 

Futsal
É a grande variante do futebol em pavilhão, com uma expansão mundial muito rápida, repleta de competições internacionais de nações e de clubes. O futsal assenta mais na componente de habilidade técnica do que o futebol de 11, o que beneficia países latinos como Portugal, onde a modalidade é também, como sabemos, muito popular. O futsal cumpre largamente os requisitos para se promover como modalidade olímpica (é praticado em 170 países de quatro continentes diferentes, muito acima dos mínimos exigidos). E tem sido um hábito as olimpíadas legitimarem as variantes dos desportos-base, como o vólei de praia, o voleibol sentado (paralímpico), o basquete 3x3, o basquetebol de cadeira de rodas (paralímpico), o softball ou, nos Paralímpicos, o próprio futebol de 5. Mas as relações tensas entre a FIFA [o organismo máximo do futebol] e o COI são um entrave à adesão olímpica do futsal, bem mais fértil em golos que o futebol.   
Potências: Portugal (atual campeão mundial e europeu masculino), Brasil (atual campeão mundial feminino), Argentina e Espanha.

 

Snooker
Vai apertando o cerco do snooker como desporto olímpico. Gorada a tentativa de adesão em Tóquio 2020, renovou-se o pedido para Paris 2024, à semelhança de outro desporto de mesa com tacos, o célebre bilhar. A popularidade do snooker é cada vez mais planetária e merece vasta cobertura televisiva, incluindo o campeonato mundial. Precisão e estratégia são fundamentais, num jogo com um certo charme tanto naquela mesa verde e larga, como nos coletes dos jogadores. O mapa mundial dos melhores talentos do mundo ainda inclina muito para a Grã-Bretanha, a ilha berço deste desporto.

Super-potência: Inglaterra
Outras potências: Escócia, Austrália, País de Gales, China. 

 

Kickboxing
No ano passado, este desporto de combate teve reconhecimento olímpico. Mas há ainda um longo caminho a percorrer para a sua adesão às Olimpíadas. Como o próprio nome indica, o kickboxing é um desporto onde o pugilato e os pontapés são permitidos. Mas a diversidade de modalidades dentro do kickboxing é grande, umas de tapete, outras de ringue, e está longe de haver um só organismo a reger as maiores competições mundiais. 

Super-potências: Países Baixos, Tailândia.

 

Bodyboard
O bodyboard podia ter apanhado a onda quando o surf passou a fazer parte dos Jogos Olímpicos em Tóquio 2020. Mas a entidade internacional que rege ambas as modalidades, a International Surfing Association, deu prioridade exclusiva ao surf nos longos anos de lobbying para se tornasse um desporto olímpico. O bodyboard foi o parente pobre e negligenciado nessas negociações mas a sua expansão mundial é inegável. Em Portugal, não faltam praticantes nas nossas praias. Uma das bodyboarders mais lendárias é a portuguesa Joana Schenker, campeã do mundo em 2019.

Potências: Estados Unidos, Brasil    
Outros países fortes: Austrália, África do Sul, França, Espanha, Portugal

 

Críquete
Ao contrário do basebol, o críquete não é um desporto olímpico há mais de 100 anos, apesar da sua maior popularidade. Embora esteja profundamente enraizado na cultura desportiva dos países da Commonwealth (que engloba as antigas colónias do Império Britânico), o críquete é muito pouco praticado, seguido ou até compreendido pelo resto do mundo, incluindo os Estados Unidos (o grande país do basebol). Esse é só um dos vários entraves para que o críquete reintegre o programa olímpico (ao contrário do que aconteceu em Paris 1900, em que só houve uma partida e vários problemas logísticos). A necessidade de recintos próprios é uma exigência difícil de satisfazer para países organizadores de Jogos Olímpicos que não têm a cultura do críquete. Há também um dilema cultural que afeta a própria ilha onde nasceu o críquete: as nações britânicas costumam competir separadas no desporto, o que não acontece com outros desportistas nas Olimpíadas, onde ingleses, escoceses ou galeses competem sob a égide do Reino Unido.    

Potências: Austrália, Índia, Índias Ocidentais, Inglaterra (atual campeã do mundo feminina e masculina)
Outros países fortes: Paquistão, Sri Lanka, Nova Zelândia, África do Sul.

 

Culturismo
Um dos maiores atletas de sempre do culturismo é o ator de origem austríaca Arnold Schwarzenegger, coroado por sete vezes como o Mr. Olympia, a maior honra que um homem culturista pode ter. Apesar da coroação de glória maior do culturismo internacional se chamar Mr. Olympia e Ms. Olympia, olímpico é que não é o culturismo. O desporto de pose muscular tem sido sujeito a várias candidaturas para integrar o programa olímpico, mas sem sucesso final. O Comité Olímpico Internacional apresenta várias razões para a rejeição do culturismo como desporto olímpico, entre as quais o uso de esteroides (há o zelo do maior evento desportivo do mundo em não permitir o uso de drogas para fins competitivos) ou até o não reconhecimento do culturismo como desporto sequer, atendendo à ausência de exercício atlético (na versão do COI) - a mesma razão por que rejeita também o xadrez como desporto olímpico. O que é certo é que o culturismo já fez parte de várias edições dos Jogos Mundiais.  

Super-potência: Estados Unidos

 

Pólo
É o grande desporto equestre coletivo, conhecido também pelo seu ambiente aristocrata. E é um dos desportos mais antigos, com histórico de torneios internacionais com mais de 600 anos e uma prática de mais de dois milénios. Foi desporto olímpico de forma descontinuada entre 1900 e 1936. E inspirou vários desportos derivados como o pólo de elefante (muito jogado no subcontinente indiano), o pólo de camelo (no Médio Oriente), o pólo de iaque (praticado na Mongólia), o pólo de bicicleta e até pólos motorizados, em que os veículos podem ser, por exemplo, segways, sempre com tacos nas mãos a disputarem uma bolinha pelo meio.   
Depois de II Guerra Mundial, o pólo nunca mais fez parte das Olímpiadas, por razões acima de tudo logísticas: a exigência de grandes relvados, a dificuldade em transportar e providenciar números elevados de cavalos e os consequentes elevados custos. Mas lentamente o pólo vai-se reaproximando das ramificações olímpicas. É reconhecido pelo COI desde 1996 e foi desporto de exibição nos Jogos Olímpicos de da Juventude de 2018, na grande cidade do pólo, Buenos Aires.

Super-potência: Argentina
Outras potências: Brasil, Chile, Inglaterra, Estados Unidos.