DGS lança primeiras orientações para alimentação nas creches

A Direção-Geral da Saúde recomenda refeições diversificadas, porções e texturas adequadas à idade e menos alimentos ultraprocessados, açúcar e sal.

A DGS publicou, pela primeira vez, orientações nacionais para a alimentação nas creches e respostas sociais dirigidas a crianças até aos 3 anos, recomendando refeições diversificadas, porções e texturas adequadas à idade e menos alimentos ultraprocessados, açúcar e sal.

"O documento pretende apoiar as instituições na disponibilização de uma alimentação nutricionalmente adequada, segura e adaptada às necessidades das crianças nos primeiros anos de vida", refere a Direção-Geral da Saúde.

Elaborado em colaboração com o Instituto da Segurança Social, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e a Garantia para a Infância, o documento estabelece recomendações sobre os alimentos a disponibilizar e a limitar, o número e a composição das refeições, as porções e a progressão das texturas de acordo com a idade e o desenvolvimento da criança. Inclui também orientações para apoiar a manutenção do aleitamento materno.

Entre os princípios estão a promoção e proteção do aleitamento materno, a diversidade e elevada densidade nutricional da alimentação, a adequação das porções e texturas e a limitação de alimentos ultraprocessados e de produtos com adição de açúcares ou elevado teor de sal.

Para a DGS, a segurança alimentar assume igualmente um papel central. Além das regras de higiene e segurança dos alimentos, a DGS recomenda que a textura, consistência, formato e dimensão sejam adaptados às competências e idade de cada criança.

As orientações recomendam o consumo diário de fruta, hortícolas e alimentos dos grupos da carne, pescado, ovos e laticínios, bem como o consumo frequente de leguminosas e frutos oleaginosos, sempre em formatos e texturas adequados à idade e ao desenvolvimento.

A alimentação deve privilegiar alimentos de elevada densidade nutricional, ou seja, alimentos que forneçam quantidades elevadas de vitaminas, minerais, proteína de elevada qualidade e outros nutrientes essenciais por unidade de energia, refere a DGS, considerando que os primeiros 1.000 dias de vida, desde a conceção até aproximadamente aos dois anos, são "particularmente relevantes" para o crescimento e desenvolvimento da criança e para a formação de preferências e hábitos alimentares, com impacto na saúde ao longo da vida.

As ementas devem ter como referência a Roda dos Alimentos, assegurando alimentos dos diferentes grupos e diversidade dentro de cada grupo. Deve ser dada preferência, de forma complementar, a alimentos sazonais e de proveniência local e à utilização de técnicas culinárias saudáveis tradicionais, como sopas, ensopados e caldeiradas.

O documento inclui ainda orientações para alimentação vegetariana, alergias e intolerâncias alimentares e dietas terapêuticas, além de sugestões práticas para almoços e lanches.

A DGS destaca também as desigualdades no acesso a uma alimentação saudável e nutricionalmente adequada, sublinhando que para muitas crianças, as creches são o local onde passam grande parte do dia e onde realizam várias refeições, influenciando o consumo alimentar diário, a aquisição de preferências e o desenvolvimento de competências relacionadas com a alimentação.

O estudo Creche com Sabor e Saúde (C2S), financiado pela DGS, identificou uma elevada oferta de alimentos ricos em açúcares simples nos lanches e um desequilíbrio na composição das refeições principais, com oferta excessiva de alimentos fornecedores de hidratos de carbono e insuficiente de hortícolas, leguminosas, pescado gordo e ovo enquanto fonte proteica principal.

Para a DGS, estes resultados evidenciam a necessidade de harmonizar práticas e apoiar tecnicamente as instituições na promoção de uma alimentação nutricionalmente adequada.