Dia de eleições intercalares nos EUA numa avaliação à Presidência de Donald Trump
O Presidente dos EUA pode "ser muito penalizado pelas políticas que tem levado a cabo".
Os Estados Unidos vão hoje a votos nas eleições intercalares que decidem para que lado se vira o futuro político do país, numa avaliação à Presidência de Donald Trump.
Nestas eleições de meio de mandato ('midterm'), os cerca de 250 milhões de eleitores norte-americanos são chamados a escolher todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes dos EUA e 35 dos 100 assentos no Senado.
A votação acontece numa altura em que o Partido Republicano, liderado por Donald Trump, tem a maioria nas duas câmaras, mas o líder norte-americano chega a estas eleições intercalares com sondagens que o colocam como o Presidente mais impopular de sempre da história dos Estados Unidos.
Por isso, o resultado irá determinar uma maioria que pode condicionar a ação da Casa Branca. Em causa podem estar questões fundamentais para o resto do mundo, como a guerra no Irão ou a guerra tarifária.
Donald Trump pode "ser muito penalizado pelas políticas que tem levado a cabo"
A especialista em relações internacionais, Joana Ricarte, acredita que perante as sondagens "é expectável que Donald Trump venha a ser muito penalizado pelas políticas que tem levado a cabo, nomeadamente pelo descumprimento das suas promessas eleitorais, sendo que ganha eleições a dizer que vai reduzir a inflação, que vai melhorar o custo de vida e que vai retirar os Estados Unidos das guerras estúpidas, que foram as palavras que utilizou na altura de campanha, e fez o oposto. Não só envolveu os Estados Unidos numa guerra agora que parece ser mais uma guerra sem fim, como conseguiu aumentar o preço dos combustíveis e com isso todo o preço do custo de vida, dos alimentos, a própria inflação."
Por isso, estas eleições são importantes na avaliação do atual Presidente "até porque hoje Donald Trump governa com maioria na Câmara dos Representantes, na Câmara Baixa e no Senado. Uma viragem disso vai certamente colocar alguns obstáculos à sua governação e, se for drástica, poderia inclusive abrir as portas para possibilidade de um processo de destituição, processo de impeachment."
Seja como for, e não havendo um processo de destituição, Joana Ricarte considera que pouco irá mudar na governação de Donald Trump, mesmo que haja uma viragem política nas duas câmaras.
"A Câmara dos Representantes e o Senado têm poderes, como por exemplo, e nós já vimos, a limitação dos poderes de guerra do presidente norte-americano, a War Powers Resolution, que já foi aprovada, inclusive com uma viragem de votos dos republicanos junto com os democratas, ela tende justamente a limitar a capacidade do presidente de tomar decisões, sem passar pelos representantes. Mas Donald Trump tem tentado contornar isso e tem no feito nos últimos dois anos, que é governar por decreto. É isso que tem sido a sua ação presidencial. E a verdade é que o tempo da Justiça, ele é, por defeito, muito mais lento do que o tempo do decreto presidencial. E a governança de Donald Trump tem sido precisamente aproveitar esses tempos para buscar outras leis, outras brechas, outras possibilidades de enquadramento e de justificação das suas ações internas e externas," sublinha.

