Dino D' Santiago dançou com todos no Marés Vivas

O cantor mostrou o seu enorme carisma em palco.

Dino D'Santiago apareceu no palco maior do festival gaiense Marés Vivas, perante quase 50 mil pessoas, armadilhado de eletrónica e das programações que o permitiam atuar sozinho em palco, com um cenário de luzes fortes. Mas acima de tudo, Dino estava armadilhado pela palavra, mesmo que o público pudesse não perceber o crioulo que cantasse.

Em uma hora, Dino D'Santiago cantou mais de 20 músicas, salomonicamente distribuídas entre os seus trabalhos principais, os seus três álbuns em nome próprio, "Mundu Nôbu", "Kriola" e "Badiu".

Mesmo sozinho em palco, o seu carisma é natural, sobredimensionando as suas músicas, que são um empurrão ao funaná e ao batuku para uma maior urbanidade, numa mestiçagem com a eletrónica que chega a puxar pela morna, quando as coisas acalmam um pouco. Porque em grande parte da sua atuação, D'Santiago dançou e puxou incansavelmente pelo público para os desejados 100%.

O palco era a sua pista de discoteca, mas também a arena do público. Dino D' Santiago quando desceu do palco, para o meio do público, não foi uma breve maluqueira fora das convenções. Durante duas músicas inteiras e uns quantos minutos, D'Santiago dançou frente-a-frente e no mesmo plano que os seus espectadores. Durante aqueles dez minutos, não havia artista e público. Todos eram um só, como numa pista de discoteca.

A consciência política não cabe só nas letras das músicas. Dino D'Santiago aproveita alguns interregnos entre as músicas para despertar algumas questões. "Uns são seres humanos e outros são simplesmente africanos, é preciso um ensaio sobre a cegueira".

Quando finalizou o espetáculo com 'Kriolu', D’Santiago cantou e esbracejou na direção da câmara de filmar, em jeito de triunfo.