Diogo Piçarra nos ensaios para a Altice Arena e para o Multiusos de Guimarães
O músico estreia-se na Alice Arena, em Lisboa, a 1 de outubro e no Multiusos de Guimarães no dia 8.
Diogo Piçarra está prestes a atuar na maior sala do país - a Altice Arena, em Lisboa, e, uma semana depois, a 8 de outubro, leva as canções a norte, ao Multisusos de Guimarães. O concerto em solo lisboeta acontece com dois anos de atraso devido ao que já sabemos, a pandemia e suas consequências no funcionamento do mundo. A longa espera, que foi desdobrada em três adiamentos, acabou agora. Diogo Piçarra, que entretanto foi pai da pequena Penélope, sobe ao palco da sala de Lisboa - já esgotada - a 1 de outubro (curiosamente no Dia Mundial da Música). Para a sala nortenha ainda há bilhetes disponíveis.
Diogo Piçarra leva uma mão cheia de convidados para os dois grandes palcos. O cantor espanhol António José, o rapper Bispo e a cantora Carolina Deslandes são os convidados especiais para a Altice Arena e o músico Ivandro ficou com a demanda de assegurar a primeira parte da noite lisboeta. Os convidados para a noite de Guimarães são Bispo e Anselmo Ralph.
Fomos espreitar a boa azáfama dos ensaios para os dois espetáculos, que contam com a maior produção cénica de sempre na carreira do músico português, e aproveitámos a ida aos estúdios, em Lisboa, para trocar impressões com o músico algarvio que está quase, quase a encher de fãs as duas arenas.
Como é que te sentes a poucos dias da estreia na Altice Arena e no Multiusos de Guimarães?
Já aconteceu de tudo a este concerto [o da Altice Arena]. Já teve três datas. Teve um primeiro alinhamento. Teve dois, três alinhamentos. Era para ter sido o concerto de lançamento de um disco [o "South Side Boy"] e de repente é para encerrar o ciclo desse mesmo disco. Por tudo isto acho que é o concerto mais esperado da minha vida. Espero que seja em grande. Estamos a trabalhar para que assim seja.
Nota-se...
Sim. É a primeira vez que estou a fazer um ensaio em tamanho real. Está aqui o tamanho real do palco da Altice Arena. São quase 30 metros de palco. A profundidade também é em tamanho real. O ecrã não será o mesmo que aqui está mas dá para ver como serão os conteúdos que vão estar a passar [ao longo dos espetáculos]. Estamos a preparar tudo a 200 por cento. É só chegar lá, montar a tenda e fazer tudo igual ao que estamos a fazer aqui. A preparação já está a ser feita há algum tempo. Vou incluir os novos singles no alinhamento que já estava mais ou menos fechado. A verdade é que sinto que estou muito mais preparado agora do que estava em 2019 quando o concerto foi anunciado.
Sentes-te um homem diferente agora?
Sem dúvida. Quanto mais não seja pelo trauma da pandemia. Sinto maior urgência em aproveitar cada momento como se fosse o último. Quando subir àquele palco nem sei se vou conseguir cantar a primeira frase. Se calhar, vou chorar um bocadinho, parar bocadinho e dizer a seguir: 'agora já podemos'. (risos) Parece que esta espera durou uma década. A pandemia trouxe coisas muito más a muitas famílias, embora, felizmente, na minha família não tenha havido casos muito graves. O ser humano é bom a esquecer e claro que é bom podermos voltar à vida normal, mas, às vezes, parece que não aconteceu nada. Mas aconteceu. Quando estiver em cima do palco não me vou esquecer. Não me vou esquecer da pandemia nem da minha filhota que nasceu no meio da pandemia. [A minha filha] mudou as nossas vidas. A paternidade muda a vida de uma pessoa. Começamos a relativizar tudo. Vê-la nos meus concertos faz com que tudo deixe de ser importante. A importância concentra-se naquela pessoa.
Como é que idealizaste a componente cénica destes dois concertos?
Eu vejo muitos concertos para procurar inspiração. Em Portugal, não é possível fazer tudo. Em Portugal e com a minha carteira. (risos) O que tentei foi fazer criar um concerto que encaixasse no conceito mais sombrio do "South Side Boy". O meu objetivo era criar um conceito de palco que fosse um pouco claustrofóbico, que fosse mais sombrio. Tenho pouco espaço no palco e o ecrã fica mesmo atrás de mim para criar essa noção de claustrofobia. É como se o ecrã estivesse a "engolir-me" e a "engolir" o público. Quis manter esse conceito do disco. Não é um espetáculo de apresentação desse álbum, mas, como vou tocá-lo, acho que faz todo o sentido manter o conceito, mesmo com a inclusão das músicas novas no alinhamento.
Além de ter atualizado o alinhamento, também atualizei a lista de convidados. [Na Altice Arena] vou cantar a canção 'Anjos' com a Carolina Deslandes, o que é raro fazer. Só cantamos essa juntos ao vivo uma vez. Ainda nesse concerto vou cantar com o António José, com quem também só cantei ao vivo uma única vez, no concerto que dei no Capitólio [em 2019]. Acho que também vai ser um momento especial quer para mim quer para ele. E, a fechar, vou cantar com o Bispo, com quem fiz o 'Monarquia' e que tem feito parte da minha vida nestes últimos dois anos. O Bispo também vai estar comigo em Guimarães, a 8 de outubro. E para esse concerto vou convidar também o Anselmo Ralph. Vamos cantar juntos pela primeira vez a nossa música ['Como Se Te Fosse Perder'].
Ouvi dizer que "pediste ajuda" aos teus seguidores para criares o alinhamento. Isso não deve ser fácil de gerir...
Sim. (risos) Numa publicação no Instagram, perguntei às pessoas o que é que queriam ouvir mas já me arrependi. (risos) As pessoas pediram tudo. Ainda brinquei e perguntei se a ideia era passar lá a noite. (risos) Infelizmente não podemos fazer isso. Quero que o concerto seja bom e prazeroso. Não quero que seja uma tortura. Quero passar por músicas de muitos discos. Vão ficar muitas de fora, mas asseguro que vou cantar as principais.
Nos palcos da Altice Arena e do Multiusos de Guimarães, Diogo Piçarra vai estar acompanhado por Filipe Cabeçadas na bateria, Miguel Santos no baixo e programações e Francisco Aragão nas teclas, guitarras e programações. Canções como 'Paraíso', 'Tu e Eu', 'Trevo', 'História', 'Coração', 'Dialeto', 'Até ao Fim', “Anjos', 'Monarquia' estarão certamente nos alinhamentos de ambos os espetáculos.
