Do "Tony" às peças de teatro. Emigrantes mudaram e associações perderam espaço

A vida dos emigrantes portugueses mudou ao longo das últimas décadas. Como consequência, as associações que os representam lá foram perderam peso.

Por estes dias, são muitos os emigrantes que regressam a Portugal para passar férias. A vida quem têm lá fora mudou muito ao longo dos anos, não só nas profissões que hoje ocupam, como no modo de vida que têm atualmente. Nestas mudanças, as associações de emigrantes perderam peso, mas tentam manter-se vivas.

A Associação Cultural Portuguesa de Estrasburgo, em França, é exemplo disso. Isabel Sousa Cardoso, que faz parte da associação, faz uma comparação: "Ainda não foi assim há tantos anos que a associação organizou um autocarro para ir ver o Tony Carreira a Belfaux (Suíça) e o autocarro estava cheio. Provavelmente, se fosse hoje, não sei as pessoas aderiam porque é muito fácil pegar no carro. Toda a gente tem carro."

Reportagem na associação

A associação foi criada há mais de 40 anos por dois jovens portugueses para promover a "divulgação e descoberta da língua portuguesa". E também aqui há mudanças, segundo Isabel Sousa Cardoso: "Tínhamos aulas de português de apoio às crianças. Fizeram-se peças de teatro e desfiles de moda. Hoje em dia já não há essa necessidade". 

Associação Cultural Portuguesa de Estrasburgo, em FrançaMiguel Laia (Bauer Media)Outros tempos, em que as associações tinham um peso diferente na vida dos emigrantes portugueses. Ainda assim, a Associação Cultural Portuguesa de Estrasburgo mantem uma presença forte na comunidade de emigrantes. "Não temos bar, folcolre, nem futebol. (...) Temos rádio, um jornal associativo, fazemos conferências alusivas à língua e cultura portuguesas, exposições, sessões de cinema, festas e consultas jurídicas".

Associação Cultural Portuguesa de Estrasburgo, em FrançaMiguel Laia (Bauer Media)