Dois 'Pedros' e os "kits de esperança" na Marinha Grande

Pedro Costa e Pedro Soares são voluntários no pavilhão Nery Capucho, onde são recebidos e distribuídos bens essenciais para a população afetada pela tempestade Kristin.

A destruição causada pela tempestade Kristin fez crescer uma onda de solidariedade nacional. Na Marinha Grande, são muitos os voluntários que ajudam no armazenamento e distribuição dos bens essenciais que vão chegando ao pavilhão Nery Capucho.

Pedro Costa veio de Porto de Mós e Pedro Soares de Santa Maria da Feira. Os dois "Pedros" arregaçaram as mangas para "ajudar o próximo" e até ficam surpreendidos com a ajuda que chega.

"Às vezes esperamos dois camiões, de repente aparecem mais dez, é sempre a despachar e tentarmos organizar o máximo que conseguimos", conta Pedro Costa, que é voluntário "desde do primeiro dia" e tenta vir sempre ajudar o máximo que consegue.

PEDRO COSTA - VOLUNTARIO NA MARINHA GRANDE

O outro Pedro, o Soares, decidiu ser voluntário depois do cenário de destruição que viu numa viagem entre Lisboa e Leiria para uma formação: "fiquei de boca aberta. Aliás, antes já na A8, passando na zona da Marinha Grande, as árvores completamente cortadas. (...) Foi um espetáculo triste de ver árvores completamente arrancadas e o silêncio de Leiria. O silêncio, restaurantes fechados, cafés fechados, lojas, sapatarías, tudo fechado. O hotel onde eu ia, fechado. E foi aí que eu tomei a consciência: "Não, eu tenho que vir cá ajudar." E decidi. A família apoiou completamente, enchi o carro de alimentos, de cobertores, de mantas, o que podia, de higiene, e enchi o carro e vim para cá sem nada marcado".

Pedro Soares também já ajudou no estaleiro na distribuição de telhas e "custou ver pessoas de idade, à chuva, com uma telha na mão, olhar cabisbaixo."

Agora está no pavilhão Nery Capucho "na parte dos alimentos" e fica "muito feliz" com a chegada de "camiões e camiões" de ajuda.

Há o grande armazém, onde são armazenados os produtos, "e depois a parte do minimercado onde as pessoas vão lá e já estão outras equipas a preparar cabazes, kits, que eu até chamo kits de esperança, porque kits de alimentação nós já sabemos que são, mas a esperança de levar um pouco de ânimo" às pessoas.

PEDRO SOARES - VOLUNTÁRIO NO PAVILHÃO NERY CAPUCHO

Pedro Soares fica sensibilizado com a solidariedade que chega de vários pontos do país, mas deixa um apelo: "se dizem que o nosso país é pequeno, não façamos longas as distâncias. As distâncias são aquelas que nós quisermos que sejam. Não inventemos desculpas. Se temos só um dia para dar, que venhamos esse dia. Se temos só uma tarde, que venhamos essa tarde. Não faltam aqui sítios para dormirem na Marinha Grande e com boa vontade tudo se consegue."