Dos buracos na estrada à proteção da democracia: o que leva alguém a não votar?
Novo livro mostra biografias dos abstencionistas em Portugal.
Uma frustração por não saber as motivações de quem se abstém de ir votar em Portugal levou Nelson Nunes a escrever o livro “O tanto que grita este silêncio”, publicado este mês pela Fundação Manuel dos Santos.
O escritor entrevistou vários abstencionistas e traçou biografias que mostram as principais razões que os levam a não ir votar. Alguns dos motivos parecem mínimos.
“Tenho uma entrevistada que diz que não vota porque não lhe arranjam um buraco na estrada. Podemos achar que é uma tontice, mas não é. Estas pequenas coisas depois acabam por se tornar maiores e as pessoas ganham algumas frustrações e deixar de acreditar nas promessas”, afirma Nelson Nunes.
O autor concluiu que há várias tendências, entre quais a falta de ligação à política, que pode vir desde criança: “Uma entrevistada diz que não liga à política porque sempre que dava política na televisão o pai mudava de canal. Ela diz que já se informou e leu sobre política, mas, como não teve essa formação desde muito cedo, sente que não está habilitada a ir votar. Sente que está a prestar um mau serviço à democracia”.
Outra das tendências que Nelson Nunes descobriu é a de pessoas que se interessam por política, mas optam pela abstenção porque “não se relacionam com nada do que é dito ou com pouco do que é dito”.
O escritor diz que há uma forte tendência de habituação no voto: “Quanto mais um eleitor tem o hábito de ir votar há uma menor probabilidade de falhar umas eleições”.
No caso das autárquicas, os dados mostram que a participação eleitoral se tem mantido estável e até sido superior em alguns municípios, em comparação com outras eleições. Nelson Nunes diz que a proximidade ajuda a que os eleitores conheçam os candidatos e, por vezes, importa “mais as pessoas do que os partidos”.
Para diminuir a abstenção, o escritor defende que é “preciso responsabilizar as pessoas, dar-lhes mais cultura cívica e cultura política, até nas escolas, desde muito cedo”.
As eleições autárquicas acontecem no dia 12 de outubro.
