E aos 78 anos Bob Dylan estreia-se a liderar um top da Billboard
E logo com uma canção de 17 minutos, sobre o assassinato de JFK.
Bob Dylan já leva uma carreira de quase 60 anos. Foi o jovem precoce da dianteira de uma revolução renovadora da folk no início dos anos 60. Provocou um choque elétrico nas mentes de alguns indefesos da sonoridade acústica quando se virou para a instrumentação rock a meio dos anos 1960. E acumulou todo o tipo de louvores: condecorações na Casa Branca, a indigitação no Rock & Roll Hall of Fame, uma catrefada de Grammys, um Óscar e até o Prémio Nobel da Literatura. Mas nunca tinha tido um nº1 em nenhuma tabela da Billboard, o medidor dos tops de vendas nos Estados Unidos.
Esse primeiro nº1 da Billboard acontece agora e logo com um tema de praticamente 17 minutos, 'Murder Most Foul', que lidera a tabela digital do rock, com um acumulado de mais de dez mil downloads entre 27 de março e 2 de abril, nos Estados Unidos.
Essa música é uma viagem temporal aos anos sessenta do século passado, que tem como ponto de partida o trágico assassinato de JF Kennedy, então Presidente dos Estados Unidos, em 1963. Trata-se do primeiro inédito de Bob Dylan em oito anos.
'Murder Most Foul' mereceu agora uma grande aclamação por parte do admirador assumido de Dylan, Nick Cave, no seu sistema de cartas abertas com os seus fãs na sua página The Red Right Hand Files. "A instrumentação está informal e fluída e muito bonita. Liricamente, tem toda a ousadia perversa e divertida de todas as grandes canções de Dylan, mas além disso, há algo na sua voz que parece extraordinariamente reconfortante, especialmente neste momento".
A uma das perguntas a Nick Cave, de uma internauta belga, se achava se esta seria a última canção de Bob Dylan, o cantor australiano deu seguimento à análise sobre 'Murder Most Foul', escrevendo o seguinte parágrafo: "Quanto à última vez que ouviremos uma nova música de Bob Dylan, eu certamente espero que não. Mas talvez haja alguma sabedoria em tratar todas as músicas, ou, neste caso, todas as experiências, com um certo cuidado e reverência, como se encontrássemos essas coisas pela última vez. Digo isso não apenas à luz do novo coronavírus, mas é uma maneira eloquente de levar a vida e apreciar o aqui e agora, saboreando-o como se fosse a última vez. Beber um copo com um amigo como se fosse a última vez, comer com a família como se fosse a última vez, ler para o filho como se fosse a última vez, ou de facto, sentar na cozinha ouvindo uma nova música de Bob Dylan como se fosse a última vez. Ela premeia tudo o que fazemos com o maior significado, colocando-nos dentro do presente o nosso futuro incerto, temporariamente preso".
