E Deus criou Brigitte Bardot
Atriz e ativista fez o big-bang da sensualidade e da libertação sexual.
"E Deus Criou a Mulher"... E essa mulher chama-se Brigitte Bardot, a mulher que acelerou a libertação sexual a partir de 1956.
Bardot foi a atriz que platinou o grande ecrã com os seus cabelos loiros e a sua corajosa sensualidade, filmada por alguns dos maiores cineastas franceses como Roger Vadim ou Jean Luc-Goddard. Não se ficava pela iconografia sexual, era também mulher de personalidade que dava força às suas personagens.
Não foi sempre um clarão louro que dificilmente não ofuscava tudo o resto. Remetida demasiado tempo ao papel de donzela, quando a aura de sensualidade e de beleza já ameaçava a explosão para fora de escala, foi só após a rodagem de mais de 15 filmes que Bardot fez o seu big-bang de sensualidade, na dança ao som da batucada caribenha no filme de Roger Vadim, “E Deus Criou a Mulher”. Bardot dançava descalça, de saia aberta, desgrenhando os cabelos e deslizando as suas mãos pelo seu corpo sinuoso. Bardot sobe à mesa e sobe na provocação, à frente dos seus dois pretendentes. Um deles, a personagem Michel, suplica em desejos para Bardot: “pára”. Mas Bardot não parou. Bardot não mais parou na sua sensualidade, até aos 39 anos de idade, quando trocou a atividade cinematográfica pelo ativismo pelos animais.
A exuberância da sua personalidade forte e da sua beleza enraizou-se no cinema francês dos anos 50 e 60. Um dos maiores nomes da Nouvelle Vague, Jean-Luc Goddard, também deixou as câmaras de filmar enfeitiçarem-se pelo clarão de Bardot, sobretudo no filme “O Desprezo”, de 1963, como a mulher de sonho inatingível que deixa à deriva mais pretendentes, vítimas da realidade, onde Bardot não está nos seus braços.
Brigitte Bardot irradiou também a sua sensualidade na música, como na ousada canção ‘Je T’ Aime, Moi Non Plus’, ao lado de um dos seus amantes, Serge Gainsbourg. O músico compôs a canção para Bardot, mas a versão mais famosa foi gravada em dueto com Jane Birkin.
Em 1973, Brigitte Bardot trocou o cinema pelo ativismo em defesa dos animais. A modernidade que encarnou e que defendeu no século XX não teve sequência neste século, quando a dada altura passou a defender a líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, defensora rígida de políticas de desfavorecimento para com os imigrantes em França. A mulher que derrubou barreiras no cinema passou a consentir a ideia de uma França barricada em si mesma.
